quarta-feira, 30 de junho de 2010

Peritos do caso Mércia fazem reunião de rotina na sede do IC




Peritos do caso Mércia fazem reunião de rotina na sede do IC

Encontro durou cerca de 2 horas e meia.
Resultados dos exames ainda não estão prontos.

Do G1 SP
Os peritos envolvidos no caso Mércia Nakashima ser reuniram na tarde desta quarta-feira (30) por cerca de duas horas e meia na sede do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, no Butantã, na Zona Oeste, de São Paulo. Segundo Renato Pattoli, perito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, foi um encontro "de rotina e essencialmente técnico". Além disso, ele informou que os laudos dos exames solicitados no inquérito não estão prontos. Por isso, ainda não é possível apontar a causa da morte da advogada.
"É uma reunião rotineira. Quando tem um caso assim que precisa integração, a gente ter um contato mais próximo entre laboratório, IML (Instituto Médio Legal), isso é feito. Sobre o caso, não tem novidade nenhuma, não teve resultado nenhum de exame. Continua tudo como estava", afirmou Pattoli. Sobre o projétil encontrado no carro de Mércia, o perito disse que este foi levado nesta quarta para o IC para ser periciado. "Vai ser verificado o calibre e serão feitos os exames técnicos necessários", completou.
Em entrevista ao G1, Pattoli havia dito, com base em sua experiência profissional, que, apesar de Mércia Nakashima ter sido baleada dentro do seu carro, o mais provável é que ela tenha morrido afogada. O corpo da advogada foi achado em 11 de junho numa represa em Nazaré Paulsita, no interior de São Paulo. A vítima estava desaparecida desde 23 de maio, quando saiu da casa dos avós em Guarulhos, na Grande SP.
“Pela experiência que tenho, o tiro não deve tê-la matado. Pode ter sido afogamento. Pode ter desmaiado com o disparo e ter morrido por afogamento”, afirmou Pattoli, responsável pelo laudo sobre a cena do crime.
Ainda, de acordo com Pattoli, somente o laudo do IML (Instituto Médico Legal) poderá determinar a causa da morte da vítima. Os peritos do caso se reúnem no prédio da Polícia Técnico Científica, na capital, na tarde desta quarta, para debaterem os laudos. Os resultados dos exames são aguardados para esta semana. “A minha opinião é de que ela morreu afogada, mas só o IML tem condições de confirmar isso ou não”, disse o perito.
O principal suspeito pelo crime é o ex-namorado de Mércia, o advogado e policial militar Mizael Bispo de Souza, de 40 anos. Para a polícia, mais duas pessoas estariam envolvidas no assassinato: o irmão de Souza e o vigilante Evandro Bezerra Silva, de 38 anos, que teve a prisão decretada por faltar a um depoimento. Foragido, Silva é procurado. Já os irmãos Souza negam o crime, segundo o advogado deles, Samir Haddad Júnior.
Dinâmica do homicídio
Apesar de ainda não ter concluído o seu laudo sobre a cena do crime, Pattoli adiantou o que, na opinião dele, a partir dos achados da perícia, possa ter ocorrido.
Segundo o perito, existem 99,9% de chances de Mércia ter sido baleada dentro do seu carro. Ela estaria dirigindo e o criminoso, no banco do carona. Ainda, segundo a análise preliminar do especialista, o disparo feito pelo agressor tinha o objetivo de matar a vítima, mas a acertou de raspão porque ela teria tentado se defender. Em seguida, a mulher pode ter desmaiado e se afogado na represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A vítima não sabia nadar, segundo familiares. O corpo dela foi achado em 11 de junho, 19 dias após ter desaparecido da casa dos avós em Guarulhos, na Grande SP.
A breve descrição acima, feita por Pattoli, deverá estar no relato oficial que vai traçar a dinâmica do homicídio e fará parte do inquérito da Polícia Civil que apura o assassinato de Mércia.
“O que me leva a acreditar que Mércia foi baleada dentro do carro é o fato de terem sido encontrados um projétil dentro do veículo dela [um Honda Fit prata] e resquícios de metal no ferimento da vítima. Também foram achados fragmentos de osso humano no veículo. O tiro foi dado de cima para baixo. Ninguém atira de raspão em ninguém no rosto. Foi para matar. A vítima estaria tentando se defender e levou um disparo de raspão”, disse Pattoli.
De acordo com o perito, o tiro que atingiu Mércia tirou quase três centímetros de osso do seu queixo. Segundo a perícia do DHPP, a bala que atingiu Mércia pode ter partido de uma arma de calibre 38. O projétil será comparado com duas armas [calibres 38 e 380] apreendidas na casa do ex-namorado da vítima para saber se o tiro foi dado por uma delas.
Testemunha
Um pescador, que é considerado a principal testemunha do crime, afirmou à polícia ter visto um carro entrar na represa de Nazaré Paulista em 23 de maio, um domingo, mesmo dia em que Mércia deixou a casa da avó na Grande SP. Ele contou ainda ter visto um homem alto sair do lado do motorista e disse que escutou gritos de mulher. Em seguida, relatou que viu o carro afundar com as lanternas acesas. O veículo foi localizado em 10 de junho e o corpo de Mércia retirado no dia seguinte.
Em seu depoimento, o pescador não contou ter escutado disparo de arma. Indagado sobre isso, o perito Pattoli respondeu que todas essas dúvidas serão respondidas com a reconstituição que será feita no local do crime, em julho. De acordo com o especialista, existe a possibilidade de usar silenciador em armas de calibre 38. Em outras situações, é possível abafar o som de um tiro dentro de um carro se o veículo estiver com os vidros fechados ou se o atirador usar uma almofada, por exemplo.
Policiais do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, detiveram na tarde de terça-feira (29) um homem de 33 anos suspeito de tentar extorquir o irmão de Mércia Nakashima ao exigir R$ 10 mil por supostas imagens que mostrariam o assassino empurrar o carro de Mércia, com ela dentro, na represa. A Secretaria da Segurança Pública informou nesta manhã que buscava informações sobre o fato para saber se o suspeito continuava detido ou se havia sido liberado.

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