quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Coronel que criticou a polícia é afastado e em seguida nomeado




Coronel que criticou a polícia é afastado e em seguida nomeado

A cúpula da segurança pública estadual foi procurada para explicar os motivos da mudança. Mas o silêncio impera na corporação

Letícia Cardoso e Wagner Barbosa - gazeta online

CORONEL
Leia a transcrição abaixo do diálogo entre o coronel Julio (foto) e o capitão Roger.


Confira a conversa em áudio.


Atendente Ciodes: Ciodes, capitão Roger, boa noite
Coronel Julio: ô Roger, é o coronel Júlio, tudo bem
Ciodes, capitão Roger:  Tudo, chefe
Coronel Julio: Rapaz, manda ver o que tá acontecendo naquele posto de trânsito de Jardim Camburi..
Ciodes, capitão Roger:  Já mandei, já
Coronel Julio: Porque tem um advogado, inclusive ele é advogado do coronel Corso, só que o Corso tá de férias.


Ciodes, capitão Roger: Eu falei com ele agora pelo celular


Coronel Julio: E ele tá achando, pelo que eu tô entendendo, ele é uma pessoa que eu conheço muito, ele tava ontem na minha residência assistindo jogo comigo... eu tô achando que a polícia tá excedendo. Agora, eu tô julgando de longe. Manda alguém de fora ver isso pra gente não ter que entrar para autuar alguém aí...


Coronel Julio: Os soldados estão, assim, fora do normal. O soldado é igual leão em cima de carne


Ciodes, capitão Roger: Mas me falaram o seguinte nessa ocorrência...o coronel Henrique ligou pra falar desse advogado.


Coronel Julio: Esse rapaz é advogado de uma centena de oficiais da PM


Ciodes, capitão Roger: O que que acontece, eles falaram que o rapaz mudou de faixa e, então eles foram orientá-lo... adverti-lo.


Coronel Julio: Pegaram o cara dentro do supermercado


Ciodes, capitão Roger: No estacionamento


Coronel Júlio: Nãoooo, sem fundadas suspeitas, a lei é clara. Eu vou sentar o ferro nesses "policia", eu vou lá e vou prender esses 'cara'


Ciodes, capitão Roger: É, me falaram o seguinte... orientaram a conduzir ao posto de trânsito.


Coronel Julio: Não é o que que falaram, é o que a Lei fala. Você é o oficil de servição. O que que a Lei fala: só pode abordar com fundadas suspeitas. A polícia já começa errado...


Ciodes, capitão Roger: a princípio ele tinha cometido uma infração de trânsito


Coronel Julio: Qual o oficial que você mandou lá?


Ciodes, capitão Roger: Não mandei oficial, não. Mandei o próprio policial de trânsito lá.


Coronel Julio: Ô Roger, eu tô te determinando. Manda um oficial lá! Antes que dê problema e que sobre pra você e pra quem tiver nessa merda.


Ciodes, capitão Roger: Eu vou mandar


Coronel Julio: Essa polícia eu conheço bem porque eu sou coronel dela, hein! Se der problema pra esse rapaz eu vou mandar prender vocês. Porque eu tô vendo que a polícia tá se excedendo.


E como essa porcaria tá tudo 'gravado'...eu tô dizendo a você, tô de dando ordem, manda lá!


Ciodes, capitão Roger: Tô mandando lá, agora


Coronel Julio: Não é possível que essa merda dessa PM vá fazer bobagem com uma cara que eu conheço, que tava dentro da minha casa vendo jogo comigo ontem, que é advogado do corregedor da polícia, que é advogado de mais de 100 oficiais da polícia. Eu vou ligar para o comandante da polícia e vou mandar prender os 'polícia' lá. E eu vou lá e prendo. Você me liga urgentemente me dando esse retorno.


Ciodes, capitão Roger: Tá certo, vou ligar pra lá.


A cúpula da Segurança Pública no Espírito Santo decidiu se calar sobre a interferência do coronel Júlio Cezar e o suposto uso de poder do oficial para proteger o amigo advogado envolvido em uma ocorrência de trânsito.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública, o alto comando da Polícia Militar fizeram a opção de não dizer os motivos pelos quais o coronel Júlio Cezar, que havia sido afastado da função no fim da manhã desta terça-feira e terminou o dia nomeado para outro cargo.

Em nota divulgada no final da manhã desta terça-feira, o Comando Geral da Polícia Militar do Espírito Santo informou que iria afastar "o coronel Júlio Cezar Costa, diretor de Apoio Logístico; e o coronel João Antônio da Costa Fernandes, corregedor geral, de suas funções".

Cinco horas depois, a decisão era outra. Os dois oficiais foram apenas remanejados para outros cargos sob a justificativa de que a medida de que a investigação transcorra "com isenção", nas palavras do comandante geral, coronel Oberacy Emmerich.

A cúpula da segurança pública foi procurada nesta quarta-feira (29) para explicar os motivos da mudança. Mas o silêncio impera na corporação e não vale apenas para o alto comando da Polícia Militar.

O coronel, que além de atacar a PM, conforme gravação feita pelo Centro Integrado Operacional de Defesa Social - Ciodes - disse que a polícia estava sem comando e se tornando uma milícia, também está proibido de falar sobre o caso.

Nesta quarta, a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social se limitou a informar que o Comando da Polícia Militar instaurou, por meio da Portaria nº 115/2010, sindicância que apura o recente episódio envolvendo o Coronel Júlio Cezar Costa.

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A Secretaria de Segurança salientou ainda que "que solicitará o acompanhamento de todo o trabalho pelo Ministério Público Estadual, visando a garantir isenta apuração dos fatos. A sindicância tem prazo de conclusão de 15 dias, com possibilidade de prorrogação de mais 15 dias.

Se houve transgressão é aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e a pessoa que está sendo acusada, se caracterizada a transgressão, pode se defender. Ao final, se caracterizada a sua culpabilidade, pode ser repreendida, detida ou presa.

Caso seja configurado crime pela apuração da sindicância, é aberto um Inquérito Policial Militar que segue também os ritos de apuração da Polícia Militar e que, no seu desfecho, tipifica ou um ou outros crimes cometidos. O inquérito é encaminhado para o Ministério Público para análise, oferecimento de denúncia e encaminhamento à Justiça.

A nota, porém, não explica porque após a Secretaria de Segurança ter anunciado o afastamento do coronel Júlio, horas depois o comando da Polícia Militar nomeou os dois oficiais para outras funções.

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