quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Alheia à corrupção, UNE reúne 5 mil em protesto por educação




Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília

Apesar da expectativa de atrair até 20 mil pessoas com a bandeira de 10% do PIB para educação, o protesto organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) nesta quarta-feira (31) reuniu cerca de 5 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, na Esplanada dos Ministérios. A entidade começou a manifestação diante do Banco Central, visto como símbolo da prioridade que o governo da presidente Dilma Rousseff dá ao capital financeiro em detrimento das políticas educacionais.

A UNE formulou uma pauta com 43 reivindicações que levará nesta tarde ao Palácio do Planalto. Nenhuma delas trata de corrupção. De acordo com o presidente da entidade, Daniel Iliescu, isso não contraria a pauta histórica dos estudantes pela transparência e pelo combate aos malfeitos na esfera pública. “Este é um protesto com uma pauta clara: educação. Nós também condenamos a corrupção, mas vimos que o governo tomou medidas nos últimos meses”, afirmou.

Em seus primeiros oito meses de governo, a presidente perdeu três ministros após envolvimento em suspeitas de enriquecimento ilícito e caixa dois eleitoral: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura). Ainda pairam denúncias desse tipo contra os titulares das pastas do Turismo, Pedro Novais, e das Cidades, Mario Negromonte. A UNE foi uma das entidades mais críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso, mas arrefeceu na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Participou do protesto desta quarta-feira a presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, musa do movimento estudantil chileno, que tem protestado contra mudanças nas políticas do ensino superior nos últimos três meses. “A luta é a mesma no Brasil e no Chile. A educação ainda é vista como privilégio, não como direito universal. Enquanto isso se mantiver, não vamos parar”, afirmou a dirigente estudantil, bastante abordada por fãs brasileiros durante a manifestação.

A UNE tem como pauta, além da destinação à educação de 10% do PIB, a redivisão dos royalties do petróleo do pré-sal. A entidade quer que metade desse total seja investido em políticas educacionais. “O governo precisa ser mais ousado nesse assunto. O Brasil não precisa só de gerenciamento, precisa de política de visão nessa área tão estratégica para o nosso futuro”, afirmou Iliescu.

Mais tarde, o presidente da UNE e a dirigente estudantil chilena participarão de uma audiência pública na Comissão de Educação do Senado sobre o Plano Nacional de Educação. Também irão a uma sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, em solidariedade aos protestos no Chile, onde grande parte do setor universitário é privatizado desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

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