quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ANTRO DE LADRÕES, COVIL DE BANDIDOS E OS CULPADOS.




Posted by Arthurius Maximus 


Quando um certo político brasileiro se referiu ao Congresso Nacional como a casa dos 300 picaretas, muita gente achou essa declaração um acinte.

Esse mesmo político, anos depois, conseguiu se eleger (depois de várias tentativas) sob a bandeira da mudança, da ética na política e do banimento dos picaretas de forma a tornar a política nacional mais limpa e menos corrupta.

Mas, o que a população assistiu poucos meses depois da posse, foi justamente esse mesmo político aliando-se aos 300 picaretas e fazendo esse número multiplicar.

Diante de uma nação apática, alienada e sem qualquer interesse; esse político e seus novos aliados erigiram um império de poder e corrupção nunca antes visto “nessepaís”.

Atos completamente imorais e flagrantemente ilegais eram amenizados e afagados com declarações do tipo “mas, ele não é uma pessoa como outra qualquer”; “sua biografia é maior do que isso”; "não, eu não sabia”; “tudo é culpa da imprensa golpista e denuncista” ou o pior dos mundos: “Collor foi o melhor presidente desde JK”.

Não que a corrupção tenha nascido ou seja exclusiva do governo desse senhor. Mas, usando um dos termos favoritos dele: “nunca antes na história dessepaís” se abraçou, se afagou, se incentivou e se compactuou com a corrupção, com os corruptos e com os corruptores quanto nesses últimos nove anos.

A absolvição de Jaqueline Roriz (PMN/DF) nada mais é do que a coroação de um jeito de fazer política que trata o Tesouro como caixa particular e fundo de apoio aos “amigos”. Quem esperava a condenação com cassação de mandato vive em um universo paralelo ou é extremamente inocente.

A corrupção hoje não é mais disfarçada e nem causa vergonha entre os envolvidos. Os acusados, mesmo apanhados em flagrante delito – filmados em plena ação ou gravados em alto e bom som – batem no peito e clamam por sua “honra” (como se ladrões e bandidos a tivessem).


Como se estivéssemos mergulhados num verdadeiro romance kafkiano a fala de Jaqueline dá o tom de como o corrupto brasileiro se vê: “- Fizeram isso comigo, com minha honra, e mais uma vez me calei. Venho agora quebrar esse silêncio. Sofri e vi minha família sofrer comigo”.

Numa total reversão de valores o ladrão se transforma na vítima e a sociedade em seu algoz cruel. Não é o corrupto que causa a morte de milhares de brasileiros ao apropriar-se de verbas que faltam nos hospitais; não é o ladrão que se envergonha por matar lentamente e com crueldade pela falta de recursos para saneamento básico; não há arrependimento pelas famílias famintas, desfeitas ou condenadas a uma vida degradante simplesmente porque um ladrão resolveu embolsar “um qualquer a mais”.

Na visão do corrupto brasileiro, a corrupção é um direito seu. É algo a ser transferido de pai para filho e fruto do Direito Divino. O corrupto brasileiro se vê como um eterno injustiçado. Afinal de contas, ele estava apenas fazendo o que todo mundo faz e a imprensa (sempre a cruel imprensa) foi lá atrapalhar. Chegamos a tal ponto de podridão que os “grandes nomes” se afastam da vida pública por temerem se ver ligados a tal corja de alguma forma.

Mas, se analisarmos seriamente a questão, veremos que a indignação exibida pelo corrupto brasileiro e toda a sua revolta ao ser desmascarado pela imprensa é legítima. Sim, isso mesmo, é legítima e deve ser compreendida por todo cidadão.

Na verdade, a explicação para isso é muito simples. Um ladrão que rouba frequentemente e é sempre perdoado acaba achando o ato de roubar coisa normal e aceita dentro da sociedade em que vive.

O Mesmo se dá com o político corrupto. Ao ser apanhado “com a boca na botija” inúmeras vezes e, no caso de Jaqueline, fazer parte de uma família de políticos sempre envolvidos com todo tipo de denúncias e desvios e, mesmo assim, constantemente se verem eleitos e reeleitos (e gozando de incrível poder político); torna a corrupção algo aceitável eticamente e bem visto pela população.

O raciocínio é simples: quando você é assaltado na rua, exige a punição do bandido e a ação imediata da polícia. A partir daí, você passará a vigiar melhor por onde anda e tomará mais cuidado com seu patrimônio; não é mesmo?

Mas, ao ver um corrupto apanhado roubando os cofres públicos ou dizendo barbaridades – como o político do início de nossa pequena história – você reclama para sua família, chora para o vizinho e bate o pé no botequim da esquina. Contudo, logo depois, acredita em suas propostas mirabolantes, na sua propaganda cara e bem feita, em seu sorriso “imaculado” e dá o seu voto alegremente para que ele continue te roubando e matando milhares de brasileiros por falta de atendimento médico, saneamento básico. Condenando uma grande parcela da população a miséria eterna por falta de uma boa educação e de oportunidades.

Então? Antes de perguntar quem são os culpados pela roubalheira generalizada, pela falta de pudor e pela desfaçatez dos corruptos que infestam Brasília e todas as áreas da administração pública brasileira; faça um exame de consciência e olhe-se no espelho.

O culpado por tudo isso estará diante de você.

Pense nisso.

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