sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PMs mataram juíza por promessa de dinheiro e transferência "premiada", diz cabo




Um dos participantes do crime deu detalhes do plano à polícia
Bruno Rousso, do R7
Evelyn Moraes/R7
Perseguição ao carro da juíza começou no fórum de São Gonçalo

O tenente da Polícia Militar Daniel dos Santos Benitez, apontado como organizador do assassinato da juízaPatrícia Acioli, em 11 de agosto, prometeu dois "prêmios" a três PMs do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM) que teriam ajudado diretamente na execução do crime. Um dos cabos que seriam beneficiados contou em depoimento à Divisão de Homicídios que as promessas foram dinheiro e uma possível transferência para o Batalhão de Bangu (14º BPM), onde o chamado “espólio” – material apreendido pela polícia – seria maior do que em São Gonçalo.

Ainda segundo o cabo, que relatou o esquema em programa de delação premiada, a intenção inicial era juntar dinheiro dos policiais envolvidos para encomendar o crime a milicianos. Contudo, a estratégia não deu certo e alguns PMs assumiram o serviço, segundo o depoimento do PM.

“Benitez, satisfeito com a fidelidade do declarante [o cabo] e de seus dois companheiros que concordaram em participar do plano, disse que o dinheiro que seria destinado aos milicianos seria rateado entre os quatro e disse que o tenente-coronelClaudio Lopes de Oliveira [apontado como mandante do crime] estava cotado para assumir o 14º BPM, e que falaria com o mesmo para que toda a guarnição fosse transferida para aquele BPM, pois, pelo que sabia, o espólio semanal era muito maior”.

Em outro trecho do depoimento, o cabo contou que as comunidades de menor expressão de São Gonçalo rendiam cerca de R$ 10 mil por semana. O montante era dividido pelos nove policiais que faziam parte do GAT (Grupamento de Ações Táticas) e estão presos por causa da morte da magistrada, entre eles Benitez, o autor do depoimento e os outros dois que participaram diretamente do assassinato.

Governo do Rio vai investigar enriquecimento ilícito de PMsCom as premiações prometidas e o plano bolado, os suspeitos partiram então para a prática. O primeiro passo foi a compra de uma moto e um carro Fiat Palio vinho, que custaram juntos R$ 4.000.

No dia do crime, o carro e a moto foram estacionados perto do fórum de São Gonçalo, onde a juíza Patrícia Acioli acabava de decretar a prisão dos agentes do GAT por suspeita de envolvimento em um auto de resistência que resultou na morte de Diego Beliene, no morro do Salgueiro, em São Gonçalo.

Ao saber da decisão da magistrada, Benitez teria ficado revoltado e, segundo o depoimento, disse que o crime “tinha de ser naquele dia”.

“Benitez indagou quem iria com ele na motocicleta [...] Benitez decidiu que o declarante [cabo] que deveria ir na motocicleta executar a empreitada. O declarante portava a pistola calibre 45, enquanto Benitez portava revólver calibre 357 e pistola calibre 40 em uma mochila”.

No trecho seguinte, o cabo contou que o PM Jovanis Falcão Júnior teria ficado no Fiat Palio e, mesmo após o motor ter demorado a ligar, conseguiu alcançar a moto e o carro da juíza. Pouco depois, o carro saiu da rota e voltou para os arredores do 7º BPM. Após o crime, os policiais teriam ateado fogo no Palio em um terreno da comunidade Jardim Catarina, no mesmo município.

O R7 tentou contato com a defesa dos suspeitos citados nesta reportagem, mas não obteve retorno até a publicação.

Novo comandante da PM

A suspeita de envolvimento do tenente-coronel Claudio Lopes de Oliveira na morte da juíza levou o coronel Mário Sérgio Duarte a pedir exoneração do comando da Polícia Militar no fim da noite de quarta-feira (28). Na mensagem, que foi encaminhada a partir do telefone celular, o ex-comandante-geral da PM diz que o motivo pelo pedido de demissão é “não deixar espaço para dúvidas quanto à responsabilidade no processo de escolha dos Comandantes, Chefes e Diretores da Corporação”.

No lugar de Mário Sérgio Duarte, a secretaria anunciou o coronel Erir Costa Filho como o novo comandante-geral da PM. Ele é ex-comandante do Batalhão de São Cristóvão (4º BPM) e, mais recentemente, estava à frente da Superintendência de Comando e Controle da pasta.
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