sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Postos abandonados pela PM viram refúgio para o crime




Com falta de manutenção, sistema cai no ostracismo e passa a funcionar apenas com apoio da população

Danilo Emerich - Do Hoje em Dia 

EUGENIO MORAES
Posto de vigilância no Nova Floresta foi fechado por moradores para afugentar criminosos

Criados para abrigar agentes de segurança, com o objetivo de prevenir e reduzir a criminalidade, os Postos de Observação e Vigilância (POVs) da Polícia Militar (PM) pedem socorro em Belo Horizonte. Parte das 19 cabines existentes sofre com a falta de manutenção. O abandono fica evidente nas marcas de ferrugem, sujeira, pichações e vidros quebrados ou furados a bala. No lugar de policiais, moradores de rua e até mesmo criminosos, que aterrorizam a população.

Quem viu o sistema funcionar no auge, a partir de 1999, quando foi criado com pompa, reclama da decadência e se diz inseguro. É o caso da professora Daniela Pereira, de 31 anos. Moradora do Bairro Nova Floresta, na Região Nordeste, ela diz que o POV instalado na Praça Ismael de Oliveira Fábrega faz falta para coibir assaltos a pedestres e furtos de veículos.

O Comando de Policiamento da Capital (CPC) informa que os POVs estão concentrados no Hipercentro, que conta com 13 cabines. Bancados por associações e shoppings, hoje apenas os equipamentos mais centrais (em um raio a partir da Praça 7) são efetivamente ocupados por militares.

A própria PM considera as cabines obsoletas no combate ao crime e admite que o sistema engessa os militares. A metodologia, que há 12 anos foi alardeada, está sendo abandonada.

O POV instalado na Praça Ismael de Oliveira Fábrega está desativado há três anos. A cabine está pichada e sem vidros. O local, que já foi até incendiado, servia como banheiro público e ponto para usuários de drogas. Há três meses, trabalhadores da limpeza urbana adaptaram ali um depósito de materiais e vestiário. Moradores garantem que enquanto a cabine funcionava, a região era segura.

Na esquina de Avenida Antônio Carlos com Rua Araribá, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste, a falta de policiamento fixo deu espaço ao surgimento de um ponto de usuários de crack. O POV está com vidros trincados por pedradas, pintura desgastada e enferrujada e, no interior, sujeira e fios soltos.

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