sábado, 29 de outubro de 2011

Escuta revela música criada por agiotas para ameaçar vítimas




RIO DE JANEIRO

Escutas gravadas com autorização da Justiça revelam como uma quadrilha de agiotagem, desarticulada nesta quinta-feira (27), ameaçava devedores no Rio. Numa delas, um suspeito chegou a criar uma letra de música para botar medo nos clientes.

Agiota: “Pegou tem que pagar senão o bonde brota, nunca confunde idiota com agiota. Seu tempo passou, ‘nós vai’ pedalar sua porta. Nunca confunda idiota com agiota.”

A Operação Shylock, da Polícia Civil, prendeu 15 suspeitos, sendo três em flagrante, na capital, Região Metropolitana e na Baixada Fluminense. Entre os presos estão o chefe da quadrilha, seu braço direito, dois policiais militares, sendo que um deles fazia a segurança da chefia do grupo, além de funcionários e cobradores.

A polícia monitorou os criminosos por oito meses. Numa das escutas gravadas pela polícia, um suspeito ameaça espancar o filho de uma vítima.

Agiota: “Fica de gracinha, pego seu filho e arrebento seu filho! Até sexta-feira você me arruma quanto, Cintia?”

Devedor: "Olha só, como é que a gente pode fazer um acordo pra pagar esse dinheiro aí?"

Em outro trecho, é possível ouvir mais cobranças:

Agiota: “A senhora está há dois meses sem trazer a porcaria do dinheiro, e vai pagar com 180 (reais). Quer me esculachar, né?

Devedor: “Não. Meu filho tava internado.”

Agiota: “Isso é problema seu, problema seu e da sua família. Não tenho nada a ver com isso. Eu tô aguardando a senhora aí até amanhã com o restante do meu dinheiro. Senão vai pra cobrança.”

De acordo com os investigadores, a quadrilha agia há pelo menos cinco anos. Os suspeitos vão responder por formação de quadrilha, extorsão, lavagem de dinheiro e falsa identidade, segundo a polícia. Os suspeitos cobravam de suas vítimas juros de 48% e ainda fazia ameaças a quem não quitasse.

“A agiotagem começa com empréstimo com uma quantia monetária reduzida, pequena, R$ 100, R$ 200, R$ 300, e nós verificamos que a movimentação da quadrilha gerava em torno dos milhões, na casa dos milhões”, disse o delegado Fabiano Gama, da 19ª DP (Tijuca).

Segundo Gama, que conduziu as investigações, o grupo arrecadava por mês até R$ 1 milhão. Só na casa do chefe do grupo foram apreendidos R$ 3 milhões embaixo da cama.

Paredes com revestimento acústico

Um dos escritórios da quadrilha funcionava num prédio comercial, no Centro de Niterói, na Região Metropolitana. As paredes possuíam revestimento acústico para que vizinhos não ouvissem o que era negociado. O artifício também foi usado em outros estabelecimentos.

Nos escritórios, os agentes apreenderam computadores e documentos, que mostravam as quantias negociadas. Em um deles, havia um cofre no armário da cozinha, com R$ 9 mil dentro.

Ainda em Niterói, os agentes encontraram num apartamento mais informações sobre o funcionamento dos escritórios. Cada um tinha o nome de uma pedra preciosa.

Casa de dois andares e carros blindados

Em São Gonçalo, também na Região Metropolitana, os policias cercaram uma casa de dois andares, com piscina e banheira de hidromassagem. No local, os agentes prenderam um casal. De acordo com investigadores, o homem é apontado como o segundo mais importante da quadrilha. Extratos bancários revelaram depósitos acima de R$ 200 mil na conta dele.

A mulher dele também foi presa, sob suspeita de fazer a movimentação financeira do grupo. Dois carros foram apreendidos. Um deles tinha a cabine blindada.

Para a polícia o chefe do grupo é um homem que foi preso num apartamento, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele também tinha um carro a prova de bala.

Escritórios em Juiz de Fora

Mais de 40 escritórios foram identificados no estado e em Juiz de Fora. “A pessoa também pagando eles invadiam a casa, arrombavam a porta e tomavam se apropriavam dos bens que estivesse em alcance”, explicou o delegado Fabiano Gama.

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