sábado, 31 de dezembro de 2011

Por falta de policiais, "radar inteligente" poupa infratores




Precário.Número de agentes em posto de fiscalização é insuficiente para abordar todos os carros delatados
Em 30 minutos, só um de três veículos foi parado, após alerta da reportagem

JOELMIR TAVARES - O TEMPO

FOTO: LEO FONTES
"Dedo-duro". Anunciado como inimigo implacável de carros irregulares, radar opera recariamente porque só há três policiais no posto

Inaugurado há 24 dias com a promessa de ser um vigia implacável dos carros com documentação irregular, o "radar inteligente" da MG-030, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, funciona de maneira precária por falta de agentes no posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) para cuidar da fiscalização. Embora esteja operando, o equipamento "libera" a maioria dos carros com algum tipo de irregularidade porque há só três policiais na unidade, número insuficiente para abordar todos os veículos.

Durante uma hora, no início da tarde de anteontem, nenhum carro foi parado no local, conforme constatou O TEMPO. Nesse intervalo, havia apenas um agente no posto. O outro saiu para atender a uma ocorrência. O terceiro estaria de folga. Em média, 200 carros passam nos dois sentidos da rodovia a cada dez minutos.

Já dentro da unidade da PMRv, a reportagem viu o computador denunciar três veículos irregulares em apenas 30 minutos, mas só um dos carros foi parado, depois que a reportagem alertou o guarda de plantão. Os outros dois seguiram caminho, mesmo após o alerta do sistema.

Além de detectar excessos de velocidade, o radar "dedo-duro" registra documentos atrasados, multas acumuladas e veículos roubados ou com mandado judicial para apreensão. O único motorista abordado, dentre os três denunciados pelo equipamento no período de meia hora, estava inadimplente com o pagamento do seguro obrigatório.

O condutor, que não quis ter o nome divulgado, mora na região e não havia sido parado antes, embora passe pelo local ao menos duas vezes por dia. "Só me pararam hoje (anteontem) porque vocês (reportagem) estão aqui", afirmou ele, que foi autuado e poderá ser multado em R$ 191, além de receber sete pontos na carteira. Motoristas que trafegam com frequência pelo local dizem que blitze são raras.

Proximidade. O primeiro dispositivo, instalado no sentido de quem segue para a capital, fica a 150 m da unidade da PMRv. No sentido contrário, o detector está a 200 m. Mesmo passando em baixa velocidade - o limite no trecho é de 60 km/h -, os carros percorrem as distâncias em menos de dez segundos. Se estiver sozinho no posto, o policial não tem tempo para sair da unidade e parar o veículo. O ideal, segundo policiais, seria haver três agentes - um no computador e dois na pista. O efetivo atual está sobrecarregado. Além de cuidarem do policiamento nos 115 km da MG-030, os militares também ajudam no atendimento de ocorrências no Anel Rodoviário.


FOTO: LEO FONTES – 
Aparelho circula imagem de veículo com problema e soa alarme

OUTRO LADO

Polícia rodoviária diz que objetivo é educar condutores

Sem planos para aumentar o efetivo no posto da MG–030, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) informou que o aparelho tem função "educativa" e que o objetivo é conscientizar o motorista da importância de se regularizar o carro.

O comandante do Batalhão de Trânsito Rodoviário, tenente-coronel Sebastião Emídio, defendeu o uso do "radar inteligente" como um instrumento de apoio nas operações policiais. Ele não soube informar o número de autuações aplicadas após a instalação do detector.

"Pela nossa percepção, o número de veículos irregulares que passam pela rodovia tem diminuído. Autuar não é o fim maior do equipamento", afirmou. Ele também garantiu que são realizadas blitze todas as semanas. No último dia 6, quando a PMRv apresentou o radar à imprensa, 11 veículos foram apreendidos em apenas uma hora.

Limitação. Nem todas as placas são identificadas pelo sistema, que funciona 24 horas por dia. Em média, só três das seis fotos que aparecem na tela são captadas com nitidez. No caso de motos, praticamente todas são ignoradas.

Nem a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) nem o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) souberam dizer o valor do investimento no equipamento, o primeiro de Minas. O DER quer colocar mais 28 aparelhos do tipo no Estado até 2013. (JT)

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