terça-feira, 31 de janeiro de 2012

RJ: sob ameaça de greve, bombeiros exigem reunião com Cabral




Após o governo do Rio de Janeiro anunciar a antecipação dos reajustes para bombeiros, agentes penitenciários e policiais civis e militares, a Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros afirmou nesta segunda-feira que as medidas não põem fim às reivindicações das categorias, que ameaçam uma greve geral no dia 10 de fevereiro. Segundo o presidente da associação, o 2º tenente da reserva Nilo Guerreiro, o governador Sérgio Cabral tenta jogar a população contra as categorias ao anunciar o cumprimento de acordos antigos como se fossem novas concessões.

"O governo apenas antecipou o que era devido. Nós queremos uma audiência com o governador, para que aí sim a gente possa apresentar uma pauta de reivindicação salarial, bem como (pedir) o respeito à melhor condição de trabalho na instituição", afirmou Guerreiro.

No domingo, policiais militares e bombeiros do Rio de Janeiro fizeram um protesto na avenida Atlântica, em frente ao hotel Copacabana Palace, para cobrar melhores salários e condições de trabalho do governo estadual. O movimento ganhou força nas redes sociais e muitos manifestantes utilizaram o Facebook para organizar o deslocamento de policiais de outras cidades do Estado. Servidores da guarda municipal também fizeram parte do protesto.

Com faixas e cartazes, eles cobraram do governador mais investimento na segurança pública. "Senhor governador, chega de esmolas. Queremos um salário justo", dizia uma das faixas carregada pelos policiais e bombeiros. O Rio de Janeiro tem o pior salário da categoria em todo o País.

Em 2011, bombeiros foram presos após ocuparem o quartel-general da corporação. Eles chegaram a entrar em confronto com o Batalhão de Choque e com agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

"Nós fizemos um encontro ontem em Copacabana. Nesse encontro ficou definido que nós vamos aguardar um posicionamento do governo, que insiste em não receber as representatividades legais do movimento", disse Guerreiro. "Nós precisamos que o governo abra uma porta de diálogo com as representativades da Segurança Pública. Ontem ficou definido que, a principio, aguardaremos até o dia 9. Se não houver um posicionamento até lá, haverá um encontro na Cinelândia para definir uma paralização geral da Segurança Pública". De acordo com a categoria, a greve começaria já no dia seguinte.

"Nós queremos ser atendidos pelo governador em audiência. Essa situação não é boa para o governo, não é boa para a segurança, não é boa para o cidadão que paga seus impostos", disse o presidente da associação.

Reajustes
O governador Sérgio Cabral definiu, na última sexta-feira, as novas regras para o aumento da remuneração da das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros e de agentes penitenciários. Segundo o governo, os aumentos vão representar um reajuste total de 39,4% para o biênio 2012/2013. Na abertura da próxima legislatura, será enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei que antecipa os reajustes para as categorias.

Os aumentos serão concedidos de acordo com nova sistemática, segundo o governo. Já em fevereiro deste ano haverá aumento de 10,15%. Incluindo o reajuste já concedido em janeiro, o acumulado em 2012 será de 11,55%. Em janeiro de 2013, será concedido 0,915%; em fevereiro do mesmo ano, 10,15%. Já em outubro de 2013, as quatro categorias receberão mais 13,84% de aumento.

O reajuste total acumulado em 2013, incluindo as três parcelas, será de 26,54%. Os reajustes vão incidir sobre soldos e vencimentos, e também vão beneficiar aposentados e pensionistas. O impacto financeiro da nova sistemática, somente em 2012, é de R$ 200 milhões. As novas regras abrangem 73.106 servidores ativos, 32.163 servidores inativos e 14.404 pensionistas.

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