terça-feira, 27 de março de 2012

Governo corta 20% da verba para prevenção à violência




Tido como modelo de pacificação, projeto não abriu novas unidades

LUCIENE CÂMARA

Especial para O Tempo

FOTO: ALISSON GONTIJO
Déficit. Das 58 unidades do Gepar em Minas, 16 estão na capital, mas são necessários mais grupos

Ao mesmo tempo em que o governo mineiro descarta a implantação de uma polícia pacificadora no Estado, nos mesmos moldes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), do Rio de Janeiro, um dos principais programas de prevenção ao crime no Estado sofre com a falta de recursos. 
Criado em 2003, o Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar), bandeira da Polícia Militar no combate à criminalidade, amargou um corte de 20,6% no orçamento de 2011. 

De acordo com a Assessoria de Estratégias Preventivas do Estado Maior da PM, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) tinha planejado enviar R$ 968 mil, no ano passado, para a atuação do Gepar em aglomerados onde também funciona o Fica Vivo, outro programa estadual de prevenção à violência. Porém, o orçamento foi alterado e o repasse reduzido a R$ 768 mil. 
"O corte foi significativo e impede o trabalho efetivo do Gepar. Tem equipe que ficou sem viatura para fazer ronda", disse o sargento Aricélio Santos, auxiliar na assessoria de estratégias preventivas da corporação. 

O policial explicou ainda que a redução da verba dificulta a revitalização das unidades do Gepar já existentes e também a criação de novos grupos. "Em 2011, identificamos a necessidade de montar duas novas equipes e reestruturar outras duas no Estado, mas nem sempre o batalhão mais próximo tem condições de fazer esse investimento", completou. Atualmente, o projeto está presente em 58 aglomerados, sendo 33 na capital e na região metropolitana, onde há alto índice de criminalidade. A Seds foi procurada para falar sobre o corte no orçamento, mas não respondeu, até as 20h de ontem, aos e-mails e telefonemas da reportagem.

Para especialistas, o Gepar é o programa mais próximo que Minas tem do modelo de polícia pacificadora, que conseguiu resultados bastante satisfatórios no Rio de Janeiro. A filosofia do Gepar é atuar na repressão à criminalidade, mas em parceria com a comunidade, em ações que preservem noções de direitos humanos e a mediação de conflitos. 

"A iniciativa é muito interessante, mas falta interesse por parte do governo em priorizá-la. É preciso fortalecer a atuação do Gepar, com rondas 24 horas por dia e aumento do efetivo", disse o sociólogo e ex-secretário adjunto de Defesa Social Luis Flávio Sapori. A Polícia Militar informou que 400 militares estão treinados para atuar no Gepar, mas não disponibilizou dados sobre quantos desses estão atuando nos aglomerados.

Repasses

Batalhões. A Polícia Militar informou que o Gepar também conta com recursos dos batalhões, que fazem os repasses de acordo com as condições e necessidades. No entanto, o valor aplicado pela corporação no programa não foi informado.

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