segunda-feira, 30 de abril de 2012

Perdemos a guerra do crack?




A Folha publica hoje a mais previsível das reportagens: após quatros meses de ação policial intensa, continua o tráfico na cracolândia. Podia ter sido escrita antes mesmo de lançada da operação. Isso significa que perdemos a guerra? Não.

Quem perdeu foi o marketing político, afinal o governador Alckmin e o prefeito Kassab entraram num desafio estilo "vencer ou vencer" e, pior, presos a um anuncio da PM de que, em pouco tempo, o tráfico seria desarticulado. Como desarticular rapidamente a venda se o traficante é um viciado? Isso é o que dá uma ação de saúde pública ficar nas mãos do marketing político e dos policiais.

Mas não se perdeu a guerra --e, no final, a operação, com todos os seus problemas, é um avanço. É um trabalho lento, com altos e baixos, em que a meta não é acabar com o tráfico. Mas reduzi-lo para que não se criem territórios livre. Até então, o sinal era de que aqui valia tudo, atraindo consumidores de todos os lugares.

Com a cobrança dos especialistas e da opinião pública, a operação policial foi mesclada com mais intensidade com serviços sociais e de saúde. É o sempre se pediu.

É algo que não tem prazo para acabar. Pode não ficar como queremos. Mas não será pior. A tendência é termos focos de tráfico ( como em muitos países ricos), mas não territórios livres.

O importante é que o assunto entrou no topo da agenda da cidade. E se algum politico prometer, nessa eleição, uma solução rápida terá de enfrentar outras reportagens previsíveis.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário, ele é muito importante!

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO