quarta-feira, 30 de maio de 2012

Testemunha relata crime cometido por PMs em São Paulo





Agência Estado

As principais provas contra os três policiais da Rota detidos ontem na zona leste de São Paulo acusados de espancar e matar um acusado de participar de reunião do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Penha são a ligação de uma testemunha para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e as imagens de uma câmera que flagrou a ação no km 1 da Rodovia Ayrton Senna, nas proximidades do Parque Ecológico do Tietê, distante cerca de 3 km do estacionamento onde aconteceu o suposto confronto com acusados que resultou na morte de outras cinco pessoas. Imagens da viatura parada e o áudio da ligação têm aproximadamente 12 minutos cada e ocorreram simultaneamente.

Segundo o corregedor da PM, coronel Rui Conegundes Sousa, a testemunha foi alertada pelo filho e ligou para o 190. “Ela (testemunha) ligou para o Copom e descreveu a ação dos policiais. Teriam sido praticadas algumas agressões e, posteriormente, ela teria ouvido disparos.”

A pessoa que fez a ligação não soube dizer a que unidade pertenciam os policiais, e só depois foi possível identificá-los como integrantes da Rota. “Diante dessas circunstâncias, com a notícia dada por essa testemunha e os indícios de como foi apresentada a pessoa morta no pronto-socorro, deliberamos pela prisão em flagrante dos policiais”, disse Sousa.

"Não-conformidade"

Segundo o comandante da Rota, tenente-coronel Salvador Modesto Madia, uma denúncia anônima feita diretamente ao quartel da Rota como ocorreria “centenas de vezes ao dia”, informou que integrantes do PCC estavam reunidos no estacionamento, planejando o resgate de um traficante preso no Centro de Detenção Provisória do Belém, também na zona leste, e que seria levado para Presidente Venceslau, no interior do Estado. “Isso tudo foi confirmado hoje por um dos indivíduos detidos, que fala o nome de quem eles iriam resgatar e de que maneira. Não é uma coisa que caiu do céu, que a gente achou”, disse. Para ele, o assassinato foi uma “não-conformidade”.

No local, foram apreendidos um fuzil, uma submetralhadora, três pistolas, três revólveres, oito tabletes de cocaína e seis tijolos de maconha que, segundo a polícia, seriam dos suspeitos.

O estacionamento, onde também ocorrem bailes funk, tem 38 câmeras, mas nenhuma teria filmado a ação. “O proprietário disse que o sistema está sendo montado e que elas não estavam gravando só fazendo monitoramento”, disse o corregedor da PM.

Para o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, a ação no estacionamento foi legítima e apenas a morte de um suspeito seria decorrente de um “crime doloso contra a vida” (homicídio intencional). Neste ano, foram investigadas 177 situações de resistência seguida de morte na Região Metropolitana. Cerca de 40% dos casos já foram concluídos e não foram encontrados indícios de irregularidade.

Entre os mortos, foram identificados José Carlos Arlindo Júnior, de 35 anos, com antecedentes por furto, roubo e homicídio, Antonio Marcos Clarindo dos Santos, de 37 anos, com passagens por tráfico, homicídio, porte de droga e arma, e Claudio Henrique Mendes da Silva. Os demais não foram divulgados.

Foram presos Ricardo dos Santos Souza, de 34 anos, com passagens por roubo e receptação, Luci Maria Pereira Ramos, de 48, com antecedentes por furto, estelionato, tráfico, porte de arma e formação de quadrilha, e Fabiana Rufino de Souza. Ontem, no DHPP pelo menos 20 policiais da Rota acompanhavam o depoimento dos colegas.

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