sexta-feira, 29 de junho de 2012

Segurança da CPI recebeu favor de espião de Cachoeira






HUDSON CORRÊA
O ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, acusado de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira (Foto: Antonio Cruz/Abr)
O ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, acusado de ser espião de Carlinhos Cachoeira (Foto: Antonio Cruz/Abr)

O segurança do Senado responsável por vigiar durante a noite a sala-cofre da CPI do Cachoeira recebeu favor do maior espião do contraventor. A informação consta de escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, às quais ÉPOCA teve acesso com exclusividade. Os diálogos gravados, monitorados com autorização da Justiça, revelam a proximidade entre o segurança Yanko de Carvalho Paula Lima, de 43 anos, chefe do policiamento noturno do Congresso Nacional, e o sargento reformado da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá.

Em abril de 2011, quando foi feita a escuta da PF, Yanko tentava obter tratamento preferencial na fila da emissão de passaportes e obter os documentos rapidamente para seus dois filhos. Recorreu a Dadá, o araponga mais graduado do grupo de Cachoeira. Diante do pedido do segurança, Dadá telefonou para um funcionário da PF e conseguiu a liberação dos passaportes. Yanko estava com pressa porque tinha viagem marcada para Las Vegas, nos Estados Unidos.

Para garantir a segurança dos gabinetes, do plenário e de senadores, o Congresso Nacional conta com a Polícia Legislativa, um pequeno exército de homens de terno e gravata comumente acionados quando ocorrem manifestaçoes na Casa. Agora o órgão, do qual Yanko é um dos chefes, também tem a função de vigiar as provas da CPI.

Assim que começou a receber documentos sigilosos da Justiça e da Polícia Federal, a CPI criou a “sala-cofre” no subsolo do Senado. Só parlamentares e funcionários credenciados podem entrar no local, mas precisam deixar aparelhos eletrônicos, incluindo celulares, na entrada. A sala abriga gravações de escutas telefônicas, relatórios de inteligência e dados sobre sigilos bancário e fiscal dos acusados. Além de evitar que os documentos vazem, o cofre protege provas obtidas contra os envolvidos no esquema do contraventor, suspeito de lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e fraude em licitações. Seria útil para os investigados, incluindo Dadá, conhecer o teor do material guardado na sala.

Procurado por ÉPOCA, Yanko confirmou ter feito o pedido a Dadá, de quem é amigo, mas negou que a sua relação com o espião possa colocar em risco a segurança dos documentos sigilogos da CPI. “As chaves ficam com o presidente da CPI. Minha relação com Dadá é só de amizade”, afirmou o servidor.

O presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), tomou conhecimento da proximidade de Yanko com o araponga Dadá pela reportagem de ÉPOCA. O senador disse que mandaria “imediatamente” a Polícia Legislativa investigar o caso. “Vou pedir para tomar providências, porque a gente manda afastar o rapaz."

Ouça os áudios nos links abaixo. Leia a reportagem completa sobre as relações entre o segurança da CPI e o espião de Carlinhos Cachoeira na edição de ÉPOCA que chega às bancas neste sábado
  
Dadá, auxiliar de Cachoeira, pede para Anderson acelerar liberação de passaportes na PF para os filhos de Yanko, chefe do policiamento noturno do Congresso


18 de abril de 2011 às 19h51 

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Fonte: revistaepoca

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