sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Exame de DNA prova crime cometido por ex-policial há 12 anos





Um assassinato ocorrido em Belo Horizonte há 12 anos foi desvendado pela polícia. O corpo da secretária Josélia Mara Lopes foi encontrada em 2 de agosto em avançado estado de decomposição em uma mata do Bairro Camargos, na Região Noroeste da capital. Os restos mortais apresentavam indícios de estupro. O caso só foi resolvido com a ajuda de um exame de DNA feito à partir de material coletado na peça íntima dela. O ex-carcereiro da Polícia Civil José Lúcio Milagres, de 46 anos, acabou identificado como o autor do crime. 

Milagres já era investigado e apontado como responsável pela morte de Josélia, que então com 32 anos desapareceu ao sair do trabalho no dia 25 de julho no Centro da capital. Saques foram feitos na conta da vítima no mesmo dia do sumiço e em dias seguintes. O suspeito sempre negou o crime e se recusou a fornecer material genético para comparação. 

Preso desde 2003 na Penitenciária de Segurança Máxima de Francisco Sá, no Norte de Minas, condenado por outros estupros ocorridos em 1997, 1998 e 2003, Milagres foi novamente indiciado na última sexta-feira pelos crimes de homicídio qualificado, estupro e extorsão e teve o pedido de preventiva enviado à Justiça. Ele foi expulso da polícia em 1995 depois de ser acusado de roubo. Em 2002 chegou a ficar preso, mas conseguiu fugir, sendo recapturado em 2003.

De acordo com a delegada Cristina Coelli, da Delegacia Especializada em Localização de Pessoas Desaparecidas da capital, são 1151 páginas do inquérito sobre o assassinato de Josélia contendo informações que atribuem a autoria do crime ao ex-carcereiro. 

Cristiana Coelli informou que em 14 de julho do ano passado, diante da possibilidade de Milagres conseguir progressão de pena pelo tempo cumprido das condenações de estupro, ficou decidido que a confrontação do material genético seria feita mesmo sem o consentimento do investigado. Com um copo e uma colher descartáveis usados pelo ex-carcereiro na cela, o DNA foi colhido. O resultado aponta com 99% de precisão que o sêmen encontrado na calcinha de Josélia é de Milagres. "Com o DNA positivo e diante das provas que colocam o suspeito em vários locais frequentados pela vítima, não há dúvida de que foi ele o autor do crime. Além disso, o modo como ele agiu nesse caso apresenta semelhanças com os estupros ocorridos em 1997, 1998 e 2003, que nesses casos as vítimas tiveram as vidas poupadas", explica Coelli.

Thiago Lemos - Estado de Minas

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