sábado, 25 de agosto de 2012

Familiares dizem em depoimento que primo de Bruno era ameaçado




Segundo delegado, parentes foram ouvidos nesta sexta-feira (24).
Sérgio Rosa Sales, que era réu no caso Eliza, foi executado em BH.


Sérgio Rosa Sales (Foto: Pedro Triginelli/G1)

Familiares de Sérgio Rosa Sales, executado em Belo Horizonte, foram ouvidos pela Polícia Civil nesta sexta-feira (24), de acordo com informações do delegado que investiga o caso, Frederico Abelha. Segundo ele, durante depoimento, os parentes afirmaram que o primo do goleiro Bruno Fernandes, que também era réu no processo que apura a morte de Eliza Samudio, vinha sofrendo ameaças. Sales tinha 24 anos e foi executado com seis tiros, nesta quarta-feira (22), no bairro Minaslândia, na Região Norte da capital.

Momentos após o crime, o pai da vítima, Carlos Alberto Sales, chegou a negar supostas ameaças sofridas pelo filho. "Ele não estava sendo ameaçado, ele era amigo de todo mundo", disse no local da execução nesta quarta-feira (22).

Em relação à prisão de sete suspeitos que poderiam ter ligação com o crime, o delegado afirmou desconhecer a suspeita. O grupo foi detido por tráfico de drogas nesta sexta-feira, após uma denúncia anônima. Segundo a Polícia Militar (PM), uma segunda denúncia, recebida depois de o grupo ser detido, informava que suspeitos teriam envolvimento com a morte de Sérgio Rosa Sales.

Segundo um soldado que participou da ocorrência, no local onde o grupo foi preso, havia uma moto vermelha, e um dos sete suspeitos confirmou ser o dono do veículo. De acordo com o militar, o executor de Sérgio também foi visto em uma motocicleta da mesma cor. Ainda segundo o PM, o grupo detido teria uma rivalidade com uma quadrilha do bairro Minaslândia, local onde morava Sales.

Ainda conforme informou delegado na noite desta sexta (24), a informação sobre uma possível briga envolvendo o jovem, em uma partida de futebol um dia antes do crime, não procede. Nesta quinta-feira (23), Frederico Abelha afirmou que todas as possíveis causas do assassinato estão sendo investigadas, inclusive queima de arquivo.

O goleiro Bruno recebeu a notícia da morte do primo com tristeza, segundo o advogado, Francisco Simin. "Bruno está muito chocado com a morte do Sérgio”, disse o defensor ao G1.
Movimentação dos policiais no local onde o corpo foi encontrado. (Foto: Pedro Triginelli/G1)

O crime
Sales foi executado com seis tiros nesta quarta-feira (22) no bairro Minaslândia, na Região Norte de Belo Horizonte. De acordo com a polícia, ele foi perseguido por dois homens em uma moto, quando saía para o trabalho.

O Ministério Público Estadual informou nesta quinta-feira (23) que ainda é muito cedo para falar sobre o assassinato de Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro Bruno Fernandes. Sales era um dos réus no processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-namorada do jogador. Ainda segundo o MP, é preciso aguardar a fase de investigação policial do assassinato, antes de fazer alguma conexão com o caso Eliza. Ainda segundo MP, caso se descubra alguma ligação com o caso Eliza, o júri pode ser influenciado.

Caso Eliza Samudio
Com o assassinato, as acusações contra Sales no processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio se tornam sem efeito, isto é, são extintas, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Na fase de inquérito sobre o desaparecimento e morte de Eliza, Sales e outro primo do goleiro Bruno – Jorge Luiz Rosa, 19 anos – contribuíram com informações à polícia. Segundo a investigação, eles estiveram com Eliza no sítio do jogador, em Esmeraldas (MG), em 2010. Atualmente, Rosa cumpre medida socioeducativa, pois foi apreendido quando ainda era adolescente.

Sales ganhou liberdade no dia 10 de agosto de 2011, quando a Justiça decidiu pela soltura provisória do réu. De acordo com o desembargador Doorgal Andrada, Sales não apresentava capacidade de influenciar testemunhas, não tinha poder aquisitivo e colaborava com as investigações. À época, o advogado de Sales, Marco Antônio Siqueira, disse que sempre esperou que seu cliente fosse solto. Para ele, o primo do goleiro era uma testemunha do crime. O advogado de Sérgio não foi encontrado para falar sobre a morte.

O goleiro Bruno Fernandes e mais sete réus foram pronunciados a júri popular no processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-namorada do jogador. Para a polícia, Eliza foi morta em junho de 2010 na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e o corpo nunca foi encontrado.

Após um relacionamento com o goleiro Bruno, Eliza deu à luz um menino em fevereiro de 2010. Ela alegava que o atleta era o pai da criança. Atualmente, o menino mora com a mãe da jovem, em Mato Grosso do Sul.

O goleiro e o amigo Luiz Henrique Romão vão a júri popular por sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. A Justiça havia atribuído as mesmas acusações a Sérgio Rosa Sales, mas ele respondia o processo em liberdade desde 2008. Já o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos também está preso e vai responder no júri popular por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Dayanne Rodrigues, ex-mulher do goleiro; Wemerson Marques, amigo do jogador, e Elenílson Vítor Silva, caseiro do sítio em Esmeraldas, respondem pelo sequestro e cárcere privado do filho de Bruno. Já Fernanda Gomes de Castro, outra ex-namorada do jogador, responde por sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho dela. Eles foram soltos em dezembro de 2010 e respondem ao processo em liberdade. Flávio Caetano Araújo, que chegou a ser indiciado, foi inocentado.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), não há previsão de data para o julgamento do caso Eliza Samudio.

Do G1 MG

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