domingo, 23 de setembro de 2012

A sombra da petista






Entre as pessoas que integram a comitiva da presidente Dilma Rousseff, que desembarca hoje em Nova York, existe uma detentora de uma cadeira cativa, independentemente da situação política ou do contexto do país no momento. Um homem que a acompanha em todas as viagens — nacionais e internacionais. E que não descola de Dilma. Ele se chama Marco Antônio Amaro dos Santos, o general Amaro, responsável pela segurança da presidente. Sua missão não é fácil. Além de ter dedicação permanente e ser a sombra de Dilma, é ele quem, caso todo o aparato de segurança falhe, deve dar a vida por ela. Se a presidente for alvo de um tiro, por exemplo, o general Amaro tem a missão de se atirar na frente dela para impedir que seja atingida.

Quem olha o senhor de quase 1,90m e corpo esguio, mal desconfia qual é sua função. Conhecido pelos colegas palacianos por ser uma pessoa cordial e simpática, de fácil lidar, mantém sempre a discrição, qualidade fundamental para o cargo que exerce. Por ser o secretário de Segurança Presidencial, apesar de se relacionar bem com outros servidores que rodeiam Dilma, não é flagrado comentando os detalhes do convívio direto e diário com a presidente.

Sua estação de trabalho é a antessala do gabinete presidencial, no 3º andar do Planalto. É ali que permanece, enquanto a presidente estiver despachando no palácio. No fim do dia, a acompanha de volta ao Alvorada, onde também vai buscá-la todos os dias pela manhã. E se houver compromissos na residência oficial, também fica por lá, até acabar. Só então pode retornar para casa. Seu cargo é de dedicação exclusiva e permanente, como consta no seu registro no Portal da Transparência.
Seu direito ao descanso só vem aos fins de semana, e, somente, quando não é solicitado ou não está a acompanhando em viagens. Quando Dilma decide fazer reuniões de trabalho sábado ou domingo, costuma dispensar os serviços do general.

O general não tem direito a ficar doente. Não tem substituto para a função que exerce. Faça chuva, faça sol, é ele quem deve acompanhá-la em todos os eventos, em todos os trajetos. Está sempre dentro do carro no qual Dilma se desloca. Mas tenta não sufocá-la. No "Aerodilma", onde embarcou ontem, por exemplo, fica com a "turma do fundão", auxiliares, assessores e ministros, que viajam na parte de trás do avião. Na parte central, onde fica o escritório da presidente, só entra se for chamado.

Auxiliares da presidente contam que Amaro tem um perfil mais tranquilo que seu antecessor, o general Gonçalves Dias. GDias, como ficou conhecido pelos colegas, era mais agitado e mais "afobado" com a segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Amaro é mais discreto, dá mais espaço à presidente. Quando Dias transmitiu o cargo, desejou ao colega "saúde e sorte" para realizar uma "missão completa e desafiadora".

Não foi à toa. O cargo não é visto com bons olhos pelos integrantes das Forças Armadas. A maioria teme a responsabilidade e o inconveniente de lidar com os humores da presidente. A remuneração líquida do cargo é de R$ 17.776, 56, para ter de dar a vida, caso necessário. Para completar, o ocupante do cargo corre o risco de lidar ainda com a contrariedade do chefe do Executivo. Isso porque quem escolhe o secretário de Segurança Presidencial não é o presidente, e sim as Forças Armadas. De acordo com a assessoria de comunicação social do Gabinete de Segurança Institucional, "os servidores da Secretaria de Segurança Presidencial são selecionados nos órgãos de origem de acordo com perfil, parâmetros e atributos compatíveis com a importância da função a ser exercida que exige dedicação exclusiva".

Nos corredores do Planalto, comenta-se que os "moscas", como são conhecidos, topam a missão para "cair para cima", expressão utilizada para se referir quando uma pessoa deixa o seu cargo, para assumir outro melhor. General Dias assumiu o 6º Comando Militar, em Salvador.

Apesar dos colegas relatarem um tratamento sempre cordial de Dilma com Amaro, conta-se que, certa vez, Dilma quase fez com que caísse. Um dia, Dilma descia para pegar o carro e ir embora, mas o elevador já estava cheio. Amaro desceu pelas escadas, mas, quando chegou, a presidente já estava no veículo. Em vez de aguardá-lo, Dilma mandou o motorista arrancar. Amaro, que já estava com a mão na maçaneta, se desequilibrou e quase caiu.
R$ 17.776,56
Salário líquido recebido pelo general Marco Antônio Amaro dos Santos

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