quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Afastados policiais suspeitos de matar professor de jiu-jitsu em SP





Agentes do Garra dizem que revidaram tiros dados por vítima.
Família do homem, porém, nega versão e afirma ter havido execução.


Os três policiais civis, dois investigadores e um delegado, suspeitos de matar a tiros um professor de jiu-jitsu, na noite de quarta-feira (5), na porta da casa dele, na Zona Sul de São Paulo, foram afastados na tarde desta quinta (6).

Os agentes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) alegaram que revidaram os tiros dados pelo homem. Mas a família da vítima negou essa versão e disse que ela não estava armada e houve execução.

Alex Sandro do Nascimento, de 41 anos, dava aulas de artes marciais numa academia perto de sua residência, no Cambuci. Ele foi morto a tiros pelos policiais do Garra durante diligência no cortiço onde morava, na Rua Muniz de Souza. O professor ainda chegou a ser levado com vida para um hospital da região.

Os parentes de Nascimento contaram que o crime ocorreu após ele chegar do trabalho por volta das 22h de quarta. O professor trocou de roupa e pediu uma pizza e quando foi receber a encomenda no portão, encontrou os policiais. Os vizinhos disseram que os agentes o levaram até um corredor e deram seis tiros nele.

A família da vítima, que sempre morou na região, disse que a polícia costuma abordar as pessoas de forma truculenta. O pai do professor, Ivaldo do Nascimento disse não entender por que Nascimento foi morto. Seu filho era separado, tinha duas filhas e fazia planos de se casar novamente.

Há mais de um ano o governo de São Paulo determinou que casos de resistência à prisão seguida de morte envolvendo policiais civis e militares sejam investigados pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Procurado pelo G1, o diretor do departamento, Jorge Carrasco, afirmou que investigação vai ouvir os policiais civis do Garra.

“O DHPP vai investigar se a ação dos policiais do Garra foi legítima. Eles alegam que o suspeito foi morto durante troca de tiros e estava armado. Se ao final a conclusão não for a que eles dizem, eles serão responsabilizados pela morte da vítima”, disse Jorge Carrasco.
Segundo o diretor do departamento, os agentes do Garra deverão responder ao inquérito em liberdade.

“Vamos ouvir o depoimento dos policiais e dos parentes da vítima. É preciso saber se alguém está mentindo ou quem está dizendo a verdade”, afirmou Carrasco. “A investigação também vai requisitar imagens de câmeras de segurança do local que teriam gravado a ação policial. Elas serão importantes para esclarecer o que realmente houve lá”.

No primeiro semestre deste ano, quase 150 pessoas foram mortas na capital por policiais civis e militares que estavam em serviço. Esse número é 10% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

 Fonte: G1

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