domingo, 2 de setembro de 2012

Balanço de crimes divulgado pelo Estado subnotifica mortes





Governo promete abrir dados em 2013; assassinatos sobem 4% em Minas


Depois de três meses em queda, o índice de homicídios em Minas voltou a subir em julho, conforme o último balanço da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), divulgado ontem. Foram 294 ocorrências de assassinatos, contra 283 em junho, um aumento de 4%. A média em todo o Estado é de 9,4 crimes por dia. Segundo especialistas, o número de mortes pode ser ainda maior, uma vez que a metodologia usada pelo governo vem sendo questionada por "jogar para baixo" o número de vítimas.

Em Belo Horizonte e em outros 39 municípios da região metropolitana, foram 123 ocorrências de assassinatos em julho, praticamente o mesmo número do mês anterior, quando 122 foram registradas. 

Para o sociólogo Rodrigo Pimentel, especialista em segurança pública e ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, a metodologia escolhida pelo Estado é errônea e pode esconder os números reais da criminalidade em Minas. "Com as soluções de tecnologia que existem hoje, uma secretaria deixar de contabilizar o número de vítimas é, sem dúvida, uma opção de mascarar o real quadro da violência", afirmou. 

Na contabilização dos homicídios feita pela Seds, são somadas apenas as ocorrências, e não as vítimas. De acordo com a secretaria, o número de mortes já é contabilizado, mas, não, divulgado. O Estado informou ainda que estuda a possibilidade de divulgação do índice, mas apenas a partir do ano que vem. 

Ao contrário do índice específico dos homicídios, o balanço do Estado mostra que o número de crimes violentos - que inclui homicídios e tentativas de homicídios, roubos, extorsão mediante sequestro, estupro e tentativa de estupro, sequestro e cárcere privado - teve queda de 1,6% no Estado. 
Foram 5.648 casos em julho, 93 a menos que no mês anterior, que teve 5.741. Do total de crimes, 58,3% ocorreram na região metropolitana, que registrou 3.293 casos. O número da região é 4% inferior ao de junho, que teve 3.428 ocorrências.

Apesar do aumento de homicídios, o secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, fez um balanço positivo. Ele destacou o fato de o índice de julho ser inferior ao do mesmo período do ano passado, quando foram registradas 310 ocorrências de assassinatos no Estado. 

"Nos últimos quatro meses, conseguimos baixar cerca de 8% o número de homicídios, comparando com os primeiros quatro meses do ano e com 2011, quando houve um aumento da violência", argumentou.

Já para o sociólogo e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas, Luiz Flávio Sapori, os resultados decrescentes ainda são muito modestos. "A violência ainda segue o mesmo ritmo alarmante de 2011. Isso mostra que o Estado ainda não conseguiu lidar com a segurança pública".

Combate de armas é visto como solução

O combate aos crimes violentos, em especial aos homicídios, segundo especialistas, passa por ações de prevenção e repressão. O sociólogo Robson Sávio explica que a facilidade de acesso a armas é um dos principais empecilhos para a redução dos crimes. "A violência se deve, principalmente, à certeza de impunidade dos criminosos e ao grande número de armamento". 

O também sociólogo e especialista em segurança pública Luiz Flávio Sapori acredita que a polícia precisa inibir o uso das armas nas periferias. Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), 90% dos assassinatos são cometidos com armas. 

O comerciante Vanderley de Paula, 38, foi uma das vítimas da violência. Em julho, ele levou um tiro no peito durante um assalto à sua padaria, no bairro Boa Vista, na região Leste. "O bandido atirou porque eu tinha pouco dinheiro no caixa", lembrou.

Por LUCIENE CÂMARA / O TEMPO

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