quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Bancários recebem proposta e podem anunciar fim da greve amanhã.nesta quarta




Bancários recebem proposta e podem anunciar fim da greve. Veja transtornos

Paralisação dos Correios também afeta quem precisa receber ou enviar documentos

A auxiliar administrativa Kharoliny Santos, de 20 anos, é a última da fila para entrar em uma das poucas agências abertas do Itaú, em São Paulo

Trabalhadores dos bancos analisam uma nova proposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e a paralisação, que atinge todo o País, pode acabar após decisão da categoria nesta quarta-feira (26). De acordo com os grevistas, os trabalhadores farão assembleia amanhã (26) para decidir se aceitam a proposta ou continuam com o movimento.

O patrão elevou para 7,5% o índice de reajuste dos trabalhadores; para 8,5% o aumento do piso salarial e dos auxílios-refeição e alimentação; e para 10% a parcela fixa da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), assim como dos tetos da regra básica e do adicional. Os trabalhadores reivindicam 6% de reajuste real (descontada a inflação de 5%). As ofertas anteriores foram de 5% e 6% sem reposição inflacionária.

Além dos bancos, os Correios continuam parados, ocasionando transtornos para quem precisa colocar as contas em dia. Foi o caso da aposentada Lourdes Santos, 66 anos, que sofre com a falta de atendimento bancário. Ela diz que, desde a última quinta-feira (20), tenta renovar uma dívida de R$ 2.000 que possui com a Caixa Econômica Federal por causa de joias penhoradas. Se o problema não for resolvido, os objetos podem ir a leilão 

Em três agências diferentes de Belo Horizonte, Lourdes diz ter ouvido a mesma resposta: "Não tem como resolver".

A universitária Marcela Soares de Almeida tenta, há uma semana, sacar R$ 600 para pagar um boleto. O valor foi depositado em uma conta-corrente recém-aberta na Caixa Econômica Federal e, com a greve dos Correios, o cartão não chegou à sua casa.

Com a agência fechada, no centro de BH, também não é possível retirar o cartão no atendimento presencial. Marcela reclama que precisará pagar juros mesmo tendo o dinheiro disponível.

Em Brasília, a pedagoga aposentada Claudia Araújo, 57 anos, sofre com a falta de suporte para as operações no caixa eletrônico, já que é deficiente visual.

— Não tem funcionários e ninguém me ajuda; todo mundo anda com pressa e não para o que está fazendo para ajudar.

Os paulistanos enfrentam longas filas antes de entrar no banco. As agências menores e ainda abertas lotam e têm de ser fechadas com os clientes dentro para conter a demanda de serviços.

Com a paralisação, a auxiliar administrativa Kharoliny Santos Eloi deixa de ir à agência mais próxima de seu trabalho e faz uma caminhada de mais de três quilômetros até o Itaú mais próximo.

— Administramos determinados condomínios. Entregamos ao banco o malote com as contas deles a pagar para buscar no dia seguinte. Quando a agência não abre, ficamos sem a devolução malote, o que atrasa os serviços.

Mesmo podendo encontrar uma agência aberta, o correntista não tem todos os serviços do banco disponíveis. No caso do Itaú, por exemplo, a compensação de cheques acima de R$ 5.000 deve ser feita na própria agência do correntista.

O corretor de seguros Jeferson Cavalcanti, 52 anos, correntista do Bradesco, enfrenta tal problema em Brasília. Desde que a greve começou, não conseguiu falar com o gerente sobre compensação de cheques e sobre problemas com pagamento no caixa eletrônico. 

— Tudo que depende de conversa não dá para resolver.

Com isso, o cliente tem que contar com a sorte, já que algumas agências acabam abrindo "dia sim, dia não" por causa da pressão dos sindicatos. O funcionário de uma agência do Santander da avenida Rio Branco, em São Paulo, auxilia os clientes mesmo com os cartazes de aviso de greve colados no vidro da agência.

— Estávamos abertos ontem, mas o sindicato veio aqui hoje (25) e fechou as portas de acesso ao atendimento pessoal. Amanhã, se ele não aparecer, abriremos.

As informações são do R7

*Colaboraram Enzo Menezes e Ramon Guerra, do R7 MG; Chico Monteiro, do R7 DF; e Camila Ruback, do R7 Rio; e Felippe Constancio.

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