sábado, 15 de setembro de 2012

Bandidos roubam arsenal






Entre as 10 armas levadas por quatro criminosos durante um assalto a uma casa no Lago Sul, duas são de uso restrito e uma é mais eficiente que o fuzil usado pelo Exército. Greve da Polícia Civil atrapalha a investigação do caso, ocorrido no último dia 2 

Há 13 dias, o armamento roubado de uma casa no Lago Sul está em poder de pelo menos quatro criminosos. Entre os objetos, estão duas espingardas calibre .12, uma pistola de uso restrito e uma metralhadora .30-06, capaz de dar 600 tiros por minuto. O modelo é mais eficiente do que o usado atualmente pelo Exército brasileiro. As armas pertencem a um colecionador e foram levadas após um casal de idosos ser feito refém. Joias, celulares e dinheiro também foram roubados. Apesar da gravidade do crime, fontes policiais ouvidas pela reportagem informaram que a investigação ainda não avançou, por conta da greve da Polícia Civil. 

Eram 23h do último dia 2, quando os quatro assaltantes entraram na casa em que estavam guardadas as armas, localizada na QI 26. Munidos de revólveres, os homens renderam uma senhora de 71 anos e um idoso de 85. As vítimas são os pais do colecionador das armas, que tem 37 anos. O casal foi ameaçado. Os bandidos recolheram 10 equipamentos (veja Quadro). Também levaram três coletes balísticos, nove garrafas de uísque, uma pistola sinalizadora, R$ 1 mil, celulares, joias e usaram o carro do colecionador — um Toyota Corolla — para fugir do local. O veículo foi localizado no dia seguinte ao roubo, às margens da BR-251, próximo à saída de São Sebastião, no sentido Unaí (MG). O veículo foi periciado pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil.

Rotina

Fontes ouvidas pelo Correio informaram que o Corolla foi localizado com o tanque cheio, apesar de ter sido roubado com pouco combustível, o que reforça que os criminosos passaram em um posto de combustíveis após o crime. Para fontes policiais, os bandidos conheciam a rotina da família e sabiam que o local guardava o armamento. Apesar de ter passado duas semanas desde o dia do roubo, nenhuma arma foi recuperada até agora. A falta de avanço nas investigações tem intrigado até mesmo servidores da Polícia Civil. “Eles (os criminosos) estão com um armamento pesado na mão. A partir disso, eles podem praticar crimes ainda maiores”, afirmou um policial ouvido pelo Correio. 

Na tarde de ontem, a reportagem esteve na casa invadida pelos criminosos, mas ninguém quis falar sobre o assunto. O colecionador que teve os objetos levados conversou por telefone e, ao se mostrar inconformado com o roubo, concordou em dar entrevista. Minutos depois, entretanto, o homem informou que a família está passando por um momento muito delicado e que ele preferia não se pronunciar. 

A arma que mais preocupa na mão dos criminosos é a metralhadora Browning .30-06. O armamento é mais eficiente do que o fuzil usado hoje pelo Exército brasileiro. Com capacidade para realizar 600 tiros por minuto, a arma vendida a colecionadores custa entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. “Mas, se for comercializada para o tráfico, o valor pode dobrar. Ela representa poder e intimida. É capaz de imobilizar um carro forte”, explicou Carlos Alberto Rodrigues Tabanez, instrutor de tiros da Polícia Civil do DF. “Não é uma arma comum. Provavelmente, vai ficar escondida por uns dias, pois se forem vender e ela for apreendida, as outras também vão aparecendo aos poucos”, completou o instrutor.

Os equipamentos levados
Duas espingardas marca CBC calibre .12
Uma metralhadora marca Browning (uso restrito) calibre .30-06
Uma pistola Luger 7.65 —
Uma pistola marca Taurus (uso restrito) calibre .45
Um revólver marca Rossi calibre .22
Um revólver marca Rossi calibre .38
Um revólver marca Taurus calibre .22
Um revólver marca Taurus calibre .38
Um revólver Doberman calibre .22

Por KELLY ALMEIDA / BRENO FORTES

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário, ele é muito importante!

EMPRÉSTIMO CONSIGNADO