sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Com pé no chão, Saab quer até treinar soldados no Brasil





Fabricante sueca de caças planeja também atuar no monitoramento de portos e aeroportos

No Brasil há dois anos, a sueca Saab estabeleceu várias frentes de batalha. A companhia, que está concorrendo para o fornecimento de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), está de olho também no monitoramento marítimo, aéreo e no treinamento de tropas do exército. Em sua primeira entrevista a um jornal brasileiro, Ake Albertsson, executivo que veio ao país comandar o escritório da empresa e angariar novos negócios, explica, ao BRASIL ECONÔMICO, que a Saab pode reforçar sua presença no território brasileiro inclusive com a compra de empresas nacionais.

“Está na essência de nossa companhia essa postura de transferência de tecnologia. Hoje, temos condições e equipamentos para atuar tanto no ar, mar e terra”, disse o executivo.

Na “frente de batalha” marítima a Saab está em um processo de prospecção de clientes para fornecer sistemas de controle de tráfego de navios em porto brasileiros. Hoje, segundo Albertsson, a companhia já monitora terminais da China, como Hong Kong e Xangai, e na Romênia. Além de monitorar toda a costa da Índia.

“Com esse sistema o porto poderá otimizar o tráfego de navios em seu acesso. Em caso de mau tempo, aliás, se consegue orientar as embarcações e assim evitar incidentes. O dispositivo de controle é instalado em boias e as informações são repassadas para um centro de controle”, explicou o executivo.

Segundo ele, a Saab já contactou os principais players em administração portuária do país. “Hoje no Brasil, não há controle de tráfego de navios desse porte e aguardamos a nova Lei dos Portos para iniciarmos a comercialização dessa tecnologia”, afirmou Albertsson ressaltando que a Saab está à “caça” também de empresas parceiras para dar suporte necessário para a instalação do sistema em águas brasileiras. “Já identificamos as companhias que podem nos ajudar nessa empreitada. Assim que a regulamentação sair temos condições de fornecer o serviço”, afirmou o executivo.

Essa parceria poderia ser estruturada em forma de transferência de tecnologia ou a compra de participação acionária. “O monitoramento marítimo é o mesmo princípio do controle de tráfego aéreo. E o Brasil tem grande potencial para receber essa tecnologia em função da ampliação dos aeroportos e da privatização dos terminais.”

No caso de treinamento de soldados, a Saab é fornecedora de um software para simulação de situações de batalhas, com forte atuação no Reino Unido e nos Estados Unidos.

No entanto, a grande frente da Saab no Brasil e o que motivou a vinda de um escritório para o país é a licitação dos caças brasileiros. A sueca concorre com a americana Boeing e a francesa Dassault. Nessa briga, a Saab tem a seu favor a garantia de que o Brasil estará no desenvolvimento do novo avião Gripen. Isso porque em maio deste ano adquiriu 15% da Akaer, que vai fornecer a 80% da fuselagem do avião.

“É o nosso maior negócio e se sairmos vencedores conseguiremos aumentar a escala de produção do caça. Isso porque, o avião que será fornecido para a FAB é o mesmo que será entregue aos governos sueco e suíço.”

Juntando as encomendas da Suécia, Suíça e o programa brasileiro, a Saab terá que produzir 118 aeronaves, sendo 36 para o Brasil, 60 para a Suécia e 22 para a Suíça. “Caso sejamos escolhidos para o fornecimento dos caças, no Brasil se concentrará todos os negócios da Saab na América Latina. Será o hub na região.”

Por Ana Paula Machado - Brasil Econômico 

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