quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Correios iniciam paralisação nacional e engrossam movimento dos bancários




Paralisação no bancos ganhou força ontem, complicando pagamento de contas. Justiça exige trabalho mínimo de carteiros


Está cada vez mais difícil pagar as contas. Um dia depois de os bancários começarem uma greve nacional por tempo indeterminado, funcionários dos Correios de 17 estados e do Distrito Federal aderiram ontem à paralisação iniciada há quase 10 dias por carteiros de Minas Gerais e do Pará. Para garantir a entrega de correspondências e encomendas, a direção da estatal informou que “está adotando medidas como a realocação de empregados das áreas administrativas, contratação de temporários, realização de horas extras e mutirões nos finais de semana”. Por sua vez, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Sintect-MG) afirmaram que haverá atraso nas entregas. No segundo dia da greve dos bancos, o número de agências e postos de bancos públicos e privados fechados subiu para 7.324 ontem, contra 5.132, na véspera.

“Até hoje (ontem), apenas os empregados da Grande BH haviam aderido à greve. Agora, parte dos funcionários de Governador Valadares, de Teófilo Otoni, de Divinópolis e de Pará de Minas também passou a reforçar a paralisação. A tendência é de o serviço parar em outras cidades. Agora, com a greve em outros estados, é que teremos maior força”, disse Gilson Cunha, diretor do Sintect-MG, durante manifestação em frente à agência dos Correios na Avenida Afonso Pena, onde os sindicalistas colocaram faixas reivindicando melhores salários.

Ele não soube estimar quantos carteiros cruzaram os braços em Minas, mas avaliou que haverá atraso na entrega de correspondências e encomendas. Para evitar grandes prejuízos aos brasileiros, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) deferiu, na tarde de ontem, liminar em favor dos Correios para que os sindicatos garantam um efetivo mínimo de 40% dos profissionais sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Em Minas, há cerca de 12 mil empregados. Em todo o país, aproximadamente 120 mil. 

Problemas O atraso no recebimento das contas, porém, não é o único problema enfrentado por muitos brasileiros. Se os trabalhadores permanecerem de braços cruzados pelo mesmo período das greves do ano passado, os brasileiros podem esperar por pelo menos três semanas para normalização dos serviços. A greve dos bancários também é um obstáculo para que parte da população mantenha os compromissos em dia. Mas greves não servem para justificar atrasos no pagamento das contas.


O vigilante Luiz Antônio dos Santos, de 53 anos, por exemplo, não sabe como vai pagar suas contas. Mesmo que os carteiros entreguem os boletos antes da data do vencimento, ele perdeu o cartão de crédito e débito, o que o impossibilita de usar os caixas eletrônicos. “Não posso sequer sacar dinheiro até que outro cartão chegue à minha casa. Deve demorar mais de uma semana. Até lá…”, lamentou o vigilante, que foi a sua agência, no Centro, atrás de informações sobre como adquirir um cartão novo.

A agente de saúde Maria Aparecida da Silva, de 52 anos, foi surpreendida pela greve dos bancários: “Tenho de pagar essa conta, já vencida. Só pode ser quitada neste banco, mas não há como pagá-la no caixa eletrônico porque é preciso calcular os juros, o que seria feito pelo (operador) caixa. Se não for quitada hoje (ontem), a empresa disse que vai protestar minha dívida”, revelou. Assim que terminou de relatar sua dificuldade à reportagem, foi informada, por um pedestre, que muitas agências estão funcionando normalmente nos bairros. “Então vou me apressar para encontrar alguma aberta”.

Pedido de reajuste de até 43%

Enquanto os bancos, por meio da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), insistem na apresentação de proposta única de reajuste salarial de 6% feita no dia 28 de agosto, que contraria a reivindicação de reajuste de 10,25% e aumento real de 5% feita pelos bancários, a greve da categoria ganha força. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 7 mil agências e postos de atendimento bancários de todo o país deixaram de funcionar ontem, segundo dia da paralisação. No ano passado, no segundo dia foram registradas 6.248 unidades fechadas. 

A presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Eliane Brasil, informou que em Belo Horizonte e região metropolitana a greve paralisou 243 unidades. Para hoje, o sindicato prevê uma concentração na Rua Carijós, esquina com Rua Espírito Santo, às 13h, para mobilizar mais bancários para a greve. 

No caso dos Correios, a reivindicação de reajuste salarial é mais elevada, chegando a 43,7%. O índice, segundo os trabalhadores, corresponde à soma das perdas salariais da categoria desde o Plano Real com a inflação do período, Os funcionários reivindicam ainda aumento linear de R$ 200 e piso salarial de R$ 2.500. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) propõe reajustar os salários em 5,2%. 

Depois de reunião sem acordo entre a empresa e o sindicato em audiência de conciliação realizada ontem pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), em nota a ECT informou que o tribunal levará a julgamento o dissídio dos Correios. Ainda de acordo com a nota, em média 91% do efetivo dos Correios está trabalhando – 10.737 empregados, do total de 120 mil, aderiram ao movimento no Brasil, sendo a maior parte carteiros. A ECT informou ainda que as agências dos Correios estão funcionando normalmente em todo o Brasil e que nenhum serviço foi suspenso até o momento. 

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Sintect-MG) contesta os números da ECT e afirma que a greve é crescente, principalmente em Minas, onde ela ocorre desde o dia 11 de setembro. Segundo Gilson Cunha, diretor do Sintect-MG, para hoje é esperado que 2 mil trabalhadores sejam mobilizados e esvaziem os postos de trabalho. “Vamos trabalhar com os 1,4 mil funcionários do complexo operacional onde há a separação dos objetos para envio e também com os 600 do prédio central, e esperamos que eles parem amanhã (hoje)”, informou. 

Paciência

Para o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, o momento de greve nos bancos e Correios deve ser encarado pelos consumidores com diálogo e paciência. A principal dica é negociar com as empresas para que elas enviem a segunda via de faturas vencidas ou deem outra alternativa para o pagamento das contas. “As empresas são obrigadas a oferecer solução e vão orientar sobre como as pessoas devem pagar, se comparecendo à loja ou se por outro canal”, explica. Ele reforça ainda que é importante que o consumidor se antecipe ao problema na solicitação das boletos a pagar e que a greve não desobriga o consumidor a pagar suas contas. No caso de pedido feito via internet, ele sugere que o consumidor tenha em mente que o fornecedor também está sendo prejudicado, mas garante que caso ele não receba o produto na data prometida poderá desistir da compra sem ônus. (PH e CM)

Por Paulo Henrique Lobato - Carolina Mansur - Estado de Minas

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