domingo, 2 de setembro de 2012

Especialista aponta manipulação nas estatísticas criminais em MG





Governo fala em redução dos homicídios, mas muitas mortes deixam de ser contabilizadas


JApesar de a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) falar em um redução de 8% no número de homicídios em julho deste ano em relação a 2011, especialistas em segurança pública falam na maquiagem das estatísticas no território mineiro.

Na sexta (31), a Seds divulgou o número de assassinatos no mês de julho, que registrou 294 mortes. Os dados revelaram 9,4 homicídios por dia no Estado.

Segundo o coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública, Luiz Flávio Sapori, o problema não está na metodologia usada pelo governo - que contabiliza as ocorrências e não as mortes - mas na suspeita de que muitos assassinatos são transformados em mortes sem definição, como encontro de cadáveres ou extorsão, não incluídos nos dados por não serem considerados crimes violentos.

— Isso foi denunciado no início do ano, e o governo não fez uma auditoria e não deu explicação à sociedade mineira. Por isso,
permanece a desconfiança em relação aos dados. O governo não teve transparência na correção de números nitidamente manipulados.

Sapori afirma ainda que a atual gestão não consegue reduzir os números, mantendo Minas Gerais "em um ritmo preocupante, na mesma intensidade de 2011, que foi um ano violento".

— A Seds não conseguiu mostrar resultados efetivos que permitam visualizar um futuro próximo mais promissor. Nós estamos em uma situação de manutenção, de violência em alto patamar.

Na região metropolitana de Belo Horizonte, o índice de assassinatos manteve a realidade do mês anterior: 123 mortes, uma a mais do que o registrado em junho, o que representa 3,9 mortos ao dia.

O secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, considera que houve redução de mortes. Os crimes violentos, que abragem homicídios, tentativas de homicídios, roubos, extorsões, sequestro, estupro e cárcere privado, apresentaram redução de 1,6% em Minas. Em julho, a Seds registrou 5.648, ou 93 a menos que o observado em junho.

Mas para Sapori, há apenas uma solução: a atuação do Estado. O aumento de homicídios, segundo ele, é uma combinação de fatores que têm como motivação conflitos no tráfico de drogas e desavenças entre gangues juvenis. Esses crimes representam mais da metade das mortes em Minas.

O especialista aponta o crescimento do tráfico e reforça a necessidade da retomada de políticas públicas estaduais cessadas em 2010, como a repressão qualificada, o fortalecimento do projeto Fica Vivo e a integração das polícias.

— Na medida em que as polícias não trabalham de forma integrada, a eficiência do combate ao crime diminui e fica mais fácil matar.

Por Juliana Ferreira, do R7 MG 

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