quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ex-militar é suspeito de participar de chacina






Daniel dos Santos seria 'olheiro' do tráfico na Chatuba; 6 jovens morreram no crime

A Polícia Civil do Rio apresentou na noite de ontem o primeiro suspeito de ter participado da chacina de seis jovens no último sábado em Mesquita, na Baixada Fluminense. Daniel Dias Cerqueira dos Santos, ex-militar do Exército de 22 anos, foi reconhecido pelo pai de uma das vítimas. Ele teria ordenado disparos contra parentes durante a busca aos jovens assassinados no Parque Natural de Gericinó, perto da Favela da Chatuba.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Júlio da Silva Filho, o suspeito seria um observador dos traficantes e atuaria com rádio para avisar sobre a aproximação de pessoas estranhas na área dominada pelo tráfico. "Ele foi localizado em uma laje fazendo a contenção para os traficantes", disse Silva Filho. "Vestimentas encontradas no local foram reconhecidas por familiares, evidenciando que o palco da ocorrência foi a Chatuba."

Ex-militar do 21.º Batalhão do Exército, Santos negou a participação no crime. "Estava em casa com minha família na hora do crime. Fui preso para averiguação e, depois, disseram ter encontrado 18 trouxas de maconha na minha casa", afirmou. O delegado deve pedir a prisão preventiva de Santos hoje. Outros sete suspeitos tiveram a prisão temporária pedida ontem. Entre eles, Remilton Moura da Silva Junior, chefe do tráfico na Chatuba.

Parentes das vítimas estiveram ontem na delegacia para reconhecer objetos - que estariam sujos de sangue e foram localizados na trilha para a cachoeira do parque.

Denúncia. Moradores da Chatuba afirmaram a policias do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que PMs do 20.º Batalhão receberam dinheiro de criminosos para não fiscalizar a área. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pediu ao corregedor da PM, Waldyr Soares Filho, uma apuração sobre os possíveis desvios de conduta.

A Polícia Civil ainda fez operações no Chapadão, na Pavuna, para localizar integrantes da quadrilha - que teriam fugido para lá. Apesar das buscas, o corpo da nona vítima da onda de violência não foi localizado. José Aldecir da Silva Junior, de 19 anos, desapareceu na manhã de sábado, após sair para passear no parque. Seu pai, José Aldecir da Silva, diz que ele foi visto sendo agredido por traficantes.

"Tenho medo que ele não seja encontrado. Muitas mães nunca acharam seus filhos", disse o pai. "Tenho medo do que possam fazer com a minha família."

Parentes das vítimas poderão ser incluídos no Programa de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, da Secretaria de Direitos Humanos.

Por ANTONIO PITA / RIO - O Estado de S.Paulo

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