terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pesquisa de doenças tropicais





A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) vai lançar esta semana um relatório em que aponta a falta de pesquisas e interesses comerciais para tratamento, vacinação e eventual cura de doenças tropicais "negligenciadas" em países pobres.

Enfermidades como dengue, malária, mal de Chagas, esquistossomose, leishmaniose e tripanossomíase africana, entre outros, contaminam milhões e matam 534 mil pessoas por ano no mundo, segundo o MSF.

Juntas, essas doenças – um total de 17, entre bacterianas, virais e parasitárias – chegam a atingir um sexto da população global, principalmente na África, na Ásia e na América do Sul, onde há mais carência de saneamento e serviços de saúde. Até 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de eliminar parte dessas doenças.

O relatório do MSF será apresentado nesta quarta-feira (26), durante o 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, que ocorre no Rio de Janeiro entre esta segunda (24) e quinta-feira (27), e do qual devem participar dois mil cientistas de 59 países.

Segundo a médica Maria Carolina Batista, coordenadora do MSF no Brasil, o texto deve servir para mostrar que a organização está na contramão do que muitos governos vêm fazendo, na tentativa de levar assistência a moradores de regiões remotas de países cheios de conflitos.

"O relatório descreve nossa luta travada há mais de 20 anos. Somos a ponte entre essas pessoas e o que existe de ferramentas, por mais que não sejam as ideais", afirma.

O documento vai abordar quatro principais doenças: mal de Chagas (transmitida pelo inseto barbeiro, que é contaminado por um parasita), leishmaniose visceral (passada por uma mosca e, geralmente, fatal), tripanossomíase africana (conhecida como "doença do sono", causada pela mosca tsé-tsé) e úlcera de buruli (provocada por uma bactéria da família responsável pela hanseníase e tuberculose).

A médica destaca que, dessas doenças, apenas a leishmaniose e o Chagas costumam existir no Brasil – esta, principalmente na forma de ingestão. O barbeiro, que antes vivia em casas de pau-a-pique e picava os moradores, hoje costuma ser triturado em máquinas que processam açaí e caldo-de-cana, principalmente em estados da Região Norte, como Pará e Amazonas. O contágio por essa forma é muito mais perigoso, pois o indivíduo ingere grandes quantidades do parasita e pode morrer – principalmente por complicações cardíacas.

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