segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Polícia Militar vai monitorar munição e exigir explicação detalhada sobre disparos





No dia 4 de setembro, troca de tiros entre policiais e bandidos que, mais tarde sequestraram um ônibus, deixou uma pessoa ferida e outra morta Foto: Urbano Erbiste / Extra

Atirar menos e pensar mais. Na equação da mudança de filosofia, que levará os policiais militares de volta à sala de aula, até o número de tiros será alvo de avaliação. A partir de agora, os policiais que efetuarem grande quantidade de disparos em operações precisarão se explicar. Caso não tenham uma boa justificativa, passarão por reciclagem, serão advertidos e podem até ser afastados.

A medida faz parte de uma série de mudanças anunciadas pelo coronel Erir Costa Filho, comandante-geral da corporação, como resposta à desastrada atuação na troca de tiros com bandidos no Posto de Atendimento Médico (PAM) de Coelho Neto, que terminou com a morte da dona de casa Cláudia Lago de Souza esta semana. O tiro teria sido dado por um PM.

— Gerenciar o uso da força, antes, era responsabilidade dos batalhões. Agora, é do Estado Maior. Reconhecemos o problema. E, por entendermos essa dificuldade, virou assunto estratégico.

O comandante defende a retirada gradativa de armas de grosso calibre, como os fuzis usados pelos dois policiais militares do 41º BPM (Irajá) envolvidos no tiroteio. Segundo ele, batalhões do Centro e da Zona Sul do Rio usam apenas pistolas. Com o processo de pacificação de comunidades antes dominadas pelo tráfico, os policiais não têm mais a necessidade de armamento pesado.

O uso de armas de fogo será um dos principais aspectos abordados no curso de capacitação continuada da Polícia Militar, que começará a ser colocado em prática nos batalhões no dia 17 de setembro. Na próxima semana, oficiais de todos os batalhões farão um curso intensivo com o auxílio de agentes especializados para adquirir o conhecimento necessário para dar início às "aulas" dentro de suas unidades.

Serão feitas quatro indicadores de avaliação, que fornecerão um ranking individual. Depois, as planilhas serão analisadas por peritos. O PM será avaliado pela saúde física, mental, capacidade técnica e desvios de conduta. A carga horária das aulas não foi definida ainda. Mas uma coisa é certa na cúpula da PM: a corporação acha que, para recuperar a credibilidade, precisa de mais reflexão e menos ação.

Nova mentalidade

A PM pretende empregar o efetivo de 97 psicólogos para avaliar se os policiais sofrem problemas familiares, por exemplo, que possam interferir no trabalho.

Tempo

Um mês é o prazo para que surjam as primeiras avaliações nas unidades. Haverá equipes de apoio em cada batalhão além do oficial responsável pelo curso.

Controle

O uso da força em ações policiais será monitorado para detectar exageros.

Calibre

Para o coronel, será preciso mudar a cultura de atirar: "Antigamente, era o revólver e veio a pistola. Aí, ninguém quis mais o revólver. Aí, veio o fuzil. Ninguém quis mais a pistola. Só o fuzil. Se der um canhão, eles esquecem o fuzil e vão trabalhar só com canhão".

Armas

Segundo o coronel Erir, foram adquiridas cerca de 1,5 mil carabinas para substituir os fuzis, mas as armas foram devolvidas, pois vieram com defeito. Outra fábrica será avaliada. Em áreas do Centro e da Zona Sul, não são usados mais fuzis.

Por Herculano Barreto Filho / EXTRA ONLINE

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