quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Prisão de espião nas dependências da Abin acende luz de alerta na Câmara





A presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), quer que o Congresso Nacional convoque o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Trezza, para prestar esclarecimentos sobre a prisão de um espião nas dependências do órgão. O caso do agente infiltrado, que é servidor da agência e já havia conseguido hackear 238 senhas de investigadores, foi revelado pelo Correio na semana passada. Ele foi solto um dia depois de pagar fiança no valor de três salários mínimos e meio.

Ontem, a parlamentar encaminhou requerimento à presidência da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) solicitando a presença das autoridades para um encontro reservado. “Reputamos esse fato como de extrema gravidade, visto que a Abin trabalha com assuntos de segurança nacional e conteúdos altamente sigilosos, informando diariamente a presidente da República sobre assuntos relevantes que podem influenciar na sua tomada de decisão”, salientou.

A deputada julga importante esclarecer o episódio o mais rápido possível. "Preocupa-nos, portanto, saber que o órgão encarregado de executar as atividades de inteligência do país, e também responsável pela salvaguarda e segurança da sociedade e do Estado, apresente tamanha vulnerabilidade." No requerimento, encaminhado ao presidente da CCAI, senador Fernando Collor (PRB-AL), Perpétua ressalta que é importante aferir o nível de proteção dos dados guardados pela Abin. "Solicito a realização, com a urgência que o caso requer, de uma reunião no âmbito dessa comissão, com o fito de obtermos esclarecimentos detalhados sobre a extensão dos danos causados pela ação delituosa do agente da Abin."

Prioridade

Na sexta-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que o governo trata o caso como prioridade. De acordo com ele, o episódio causou surpresa, mas está sendo investigado com "o máximo rigor e velocidade". A Polícia Federal informou que a investigação deve ser concluída em, no máximo, um mês. O pedido de urgência foi feito por intermédio do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, ao qual a Abin está subordinada. "O próprio ministro pediu à Polícia Federal que tomasse todas as providências. Portanto, estamos fazendo dentro daquilo que a lei manda, mas investigando com o máximo rigor e velocidade", explicou Cardozo.

"Preocupa-nos saber que o órgão encarregado de executar as atividades de inteligência do país, e também responsável pela salvaguarda e segurança da sociedade e do Estado, apresente tamanha vulnerabilidade"

Perpétua Almeida (PCdoB-AC), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara

Por João Valadares / Correio Braziliense

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