terça-feira, 16 de outubro de 2012

Bope começa a ocupar a favela do Jacarezinho; Polícia Civil deixa o local na manhã desta terça-feira





Tropa de elite da PM vai preparar comunidade para instalação de UPP em 2013

Guto Maia / Agência Estado
Beltrame visitou a comunidade na segunda: "a população está livre para expressar o que quer"

Dois dias após ser ocupada pelas forças de segurança, a favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, começou a ser tomada por agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) às 7h30 desta terça-feira (16). A tropa de elite da Polícia Militar substitui a Polícia Civil. A região, que em um passado recente foi chamada de "Faixa de Gaza", será vigiada dia e noite pelos militares.

De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o Bope vai preparar a área — conhecida por abrigar a maior cracolândia do Rio — para a chegada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), em janeiro de 2013.

— [No domingo] decidimos em uma reunião que a Polícia Civil sai nesta terça e o Bope ocupa definitivamente o Jacarezinho. No final de janeiro, vamos fazer um esforço porque a gente pretende inaugurar as duas UPPs [Manguinhos e Jacarezinho] simultaneamente. O que muda a partir de agora é que a população está livre para expressar o que ela quer. Antes as pessoas da comunidade estavam sob o julgo do fuzil, do poder paralelo.

O secretário voltou a dizer que as forças de segurança estudam a ocupação da favela do Rato Molhado, vizinha ao Jacarezinho e ao Complexo de Manguinhos. A comunidade, dominada pela mesma facção que controlava o tráfico na região, é um dos prováveis esconderijos dos criminosos que fugiram nos últimos dias por causa da ocupação policial.

— Essas comunidades [Rato Molhado e favelas próximas] estão também dentro do projeto, mas teremos que fazer isso lá num segundo momento.

Beltrame, no entanto, não confirmou que o Complexo da Maré, zona norte, será o próximo alvo da pacificação.

— Com as ações já desenvolvidas, fica muito fácil para as pessoas identificarem onde serão as próximas. Eu acho que, por eliminação, na medida que a gente vai ocupando, é fácil [sobre a Maré ser a próxima a receber uma UPP]. Eles não estão excluídos, mas a gente tem que trabalhar com responsabilidade.

Prefeitura promete 700 casas

Na segunda-feira (15), o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, informou que 700 unidades habitacionais serão construídas na favela Mandela de Pedra, a mais pobre da região. A prefeitura irá realizar ainda duas grandes intervenções na área. A previsão é de que as obras terminem em um ano. As obras devem começar na próxima semana.

Bittar informou que cerca de 1.700 famílias das áreas da Mandela de Pedra e Nelson Mandela serão reassentadas. Parte dos moradores já foi retirada de suas casas e está recebendo o aluguel social.

— Os moradores da comunidade Mandela de Pedra serão reassentados nas 700 unidades habitacionais que serão construídas na própria comunidade. As demais famílias serão reassentadas em unidades que ainda serão construídas em áreas próximas de Manguinhos.

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