sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Bope ouve reclamações de moradores do Jacarezinho






O encontro aconteceu na Unidos do Jacarezinho e foi uma espécie de troca de exigências
Foto: André Naddeo/Terra

Em mais um passo no processo de aproximação junto aos moradores, tendo em vista a recente ocupação territorial por parte das forças de segurança do Estado, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), realizou na manhã desta sexta-feira uma reunião com moradores e lideranças da comunidade do Jacarezinho, na zona norte do Rio de janeiro. O local, assim como a vizinha Manguinhos, está sob o controle da tropa de elite da Polícia Militar fluminense desde o último domingo.

"Foi bastante proveitoso, acho que a presença maciça mostra o respeito que eles têm pelo processo que está acontecendo aqui", destacou o tenente coronel René Alonso, comandante do Bope, que reuniu centenas de moradores na quadra de escola de samba local, a Unidos do Jacarezinho. O Batalhão de Choque, responsável pela vizinha Manguinhos, promoverá encontro semelhante na próxima segunda-feira.

O encontro com moradores, membros da associação de moradores do Jacarezinho, além de integrantes do sistema de transporte alternativo, dentre outros, foi uma espécie de troca de exigências. Por parte da PM, os avisos claros de que o reordenamento urbano acontecerá e que alguns protocolos terão que ser seguidos, como respeito às regras de trânsito, lei do silêncio em algumas ocasiões e necessidade das revistas pessoais e domiciliares.

Do outro lado, o pé atrás de quem ainda não se sente seguro com a presença da polícia: "Gostaria de pedir para os senhores que, se por um acaso eu não estiver em casa no momento da revista, por favor, me comuniquem, que eu estarei lá para abrir a porta para os senhores. Não é preciso forçar a porta, nem arrombá-la", disse, em alto e bom som no microfone, uma moradora da comunidade, bastante aplaudida pelo público.

"Nossa experiência vem demonstrando que nem sempre o problema é de origem policial. Acontece de ser um ladrão, ou um viciado. A orientação, no entanto, está dada. O importante é a gente transformar isso num ambiente seguro. Algumas pessoas são forçadas a guardar algo em casa, às vezes, e não vão denunciar. É preciso que seja feita essa averiguação", ressaltou o comandante do Bope. "É importante que vocês entendam. É chato, eu entendo, mas é importante no processo e peço a compreensão de vocês", complementou.

"Os mototaxistas têm um papel importante para levar as crianças às creches daqui, vamos poder continuar usando esse sistema?", perguntou outra moradora, para a resposta que mostra que readquirir o direito de ir e vir implica em respeitar as regras de qualquer cidadão. "Vou responder muito rapidamente. Pessoal, quem é habilitado aqui?", questionou Alonso. Após uns quinze acenos, ele prosseguiu: "pode, ou não pode?". Todos acenaram negativamente, aceitando que, além disso, terão que estar com os documentos da motocicleta e habilitação em dia, sem contar a exigências de capacete e colete de identificação.

"Não vamos interferir em nada, apenas fazer a fiscalização constante, a organização é por parte de vocês e deve existir também. Aqui vai funcionar como ocorre na cidade toda", avisou o tenente coronel, chamando ainda a atenção para outro fator-problema que costuma rondar as comunidades onde a Unidade de Polícia Pacificadora está na iminência de ser inaugurada: respeito à lei do silêncio.

"Não existe toque de recolher, quero deixar bem claro. Mas se for domingo, é preciso respeitar o vizinho que na segunda-feira vai acordar cedo para trabalhar. Festa em área pública também é preciso seguir regras. Aqueles que têm eventos programados, por favor, nos procure. É assim que ocorre em qualquer lugar da cidade", finalizou René Alonso.

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