quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Delegada e três policiais vão a júri após 26 anos por assassinato em MT




Uma delegada e três policiais civis serão julgados no dia 5 de dezembro deste ano pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Cuiabá. Ele vão a júri popular pelo assassinato de um homem ocorrido em 1986, conforme consta no processo em tramitação na Primeira Vara Criminal de Cuiabá. Na época do crime, os acusados atuavam na Delegacia de Polícia Civil do bairro CPA 3, na capital, e a pedido da delegada os investigadores teriam executado a vítima a tiros na Serra de São Vicente, na BR-364, perto de Cuiabá.
A data do julgamento estava prevista para o dia 17 deste mês, mas foi adiado porque o advogado de um dos policiais renunciou ao processo e, por isso, não compareceu. Depois do crime, foi instaurado inquérito. No entanto, na época o Ministério Público Estadual (MPE) pediu o arquivamento do caso por falta de provas. O corpo da vítima foi encontrado às margens da rodovia por um motorista que passava pelo local.
Porém, durante investigação sobre outra morte em que a delegada aparecia como suspeita, o MPE requereu o desarquivamento do processo sobre o assassinato. O depoimento de uma testemunha, um policial que estava de plantão na data do crime, apontou que no momento em que a vítima foi retirada da delegacia ele havia saído para atender a uma falsa ocorrência por determinação da delegada acusada.
Consta no processo que nos depoimentos os três acusados se contradisseram por várias vezes. A vítima teria sido levada para a delegacia onde foi pressionada a confessar o crime de tráfico de drogas. "A denunciada determinou aos agentes policiais civis ali presentes que fossem atender a uma ocorrência (inexistente), para que não presenciassem a retirada da vítima daquela delegacia pelos demais denunciados, em um veículo Fusca, a mando da denunciada, até a localidade de São Vicente, onde foi executado a tiros", diz trecho da ação.
Em depoimento, uma das testemunhas contou que a acusada era proprietária de um veículo com as mesmas características do usado por dois investigadores no dia do crime. Outra testemunha relatou que no dia 22 de novembro de 1986 estava de plantão na delegacia e que a vítima tinha sido presa por outros três agentes que também estavam de plantão. Alegou que não soube da liberação da vítima porque a delegada não permitia o acesso e que ouviu comentários de que os três policiais acusados tinham cometido o assassinato.
Além disso, essa mesma testemunha disse que a vítima tinha sido presa com vários objetos de valor e dinheiro que teriam desaparecido na delegacia. "A delegada tinha por hábito determinar ao agentes que imobilizassem presos para que ela pudesse espancá-lo, visando ‘arrancar confissão'", diz trecho do depoimento.
De acordo com a Polícia Civil, os quatro acusados não foram afastados dos cargos e a Corregedoria da instituição concluiu o processo administrativo. No procedimento, a polícia não os culpou pelo crime.
Fonte: G1

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