segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eleitores tiram força de milicianos na política do Rio







Apuração mostra que bancada de vereadores ligados a grupos paramilitares encolheu

A apuração dos votos que definiram a nova composição do Legislativo carioca aponta para a perda de espaço político dos grupos paramilitares. A Câmara do Rio, que já teve entre os vereadores Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, Jorge Babu, Cristiano Girão, Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras, e Luiz André Ferreira da Silva, o Deco, todos envolvidos com grupos paramilitares, na próxima legislatura terá dois nomes supostamente beneficiados por votos de áreas sob influência de milícias.

Irmão do ex-deputado estadual Jorge Babu, condenado por chefiar uma milícia em Santa Cruz, na Zona Oeste, o vereador Elton Babú (PT) conseguiu se reeleger com 11.352 votos, quase 90% deles conquistados na região sob influência de grupos paramilitares. Outro que conseguiu se reeleger com base em votos em redutos de milícias foi o vereador Marcelo Henriques Batista, o Marcelo Piuí (PHS), que teve 5.449 votos, a maioria em Jacarepaguá.

Cinco dias antes das eleições, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e agentes da Polícia Federal apreenderam na associação de moradores do 4º Centenário, na Vila Sapê, em Curicica, farto material de campanha de Piuí. Dominada por uma milícia, a região foi uma das que recebeu reforço de segurança de tropas federais para impedir que eleitores fossem coagidos a votar em candidatos apoiados por milicianos.

A vereadora Carminha Jerominho (PTdoB), filha do ex-vereador Jerominho e sobrinha do ex-deputado estadual Natalino Guimarães, ambos condenados por chefiar uma milícia em Campo Grande, não conseguiu garantir a reeleição. Carminha teve 5.983 votos. Em agosto passado, a PF apreendeu armas e munição dentro de um depósito de material de campanha da vereadora. Na ocasião, Carminha negou qualquer envolvimento com grupos milicianos.

Não foi apenas a bancada da milícia que perdeu espaço na Câmara do Rio. Candidatos supostamente ligados a facções criminosas também ficaram fora da Casa. Foi o caso de Leo Comunidade (PTN), que tem a Rocinha como reduto eleitoral e teria ligação com traficantes. Wagner Bororó (PSB), flagrado negociando apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, no Complexo do Alemão, também não se elegeu.

Por Sérgio Ramalho

Fonte: Resenha EB

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