domingo, 14 de outubro de 2012

Em 5 anos, PM do Rio expulsa quase mil policiais, o equivalente a 7 UPPs




De janeiro a setembro deste ano, foram 247, praticamente um PM expulso por dia.Desde dezembro de 2008, a Secretaria de Segurança Pública já implantou 28 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) que atendem a 175 localidades no Rio de Janeiro. Não fosse a expulsão de quase mil PMs que praticaram crimes e desvios de conduta, outras sete UPPs já poderiam ter sido inauguradas nesse período.Nos últimos cinco anos, 994 PMs foram excluídos da corporação, um efetivo semelhante ao empregado nas unidades do Batan, Escondidinho/Prazeres, Formiga, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Salgueiro, Santa Marta e Tabajaras e Cabritos juntas. E ainda sobrariam dez policiais.Com a quantidade de PMs expulsos também seriam possível montar sete companhias destacadas, como a instalada na favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, que tem 136 PMs.Segundo o comandante-geral, coronel Erir da Costa Filho, os PMs que não andarem na linha vão continuar a engordar as estatísticas. De janeiro a 20 de setembro deste ano, 247 PMs já foram excluídos, média diária de 0,93 - praticamente um policial a menos a cada 24 horas. Nos 13 meses da gestão de Costa Filho, já foram 308 expulsões.— Através dos comandantes estamos mostrando que os desvios de conduta não valem a pena. Aquele que não concordar com isso, vai ser retirado, porque a sociedade não aceita mais a corrupção, e a PM muito menos. Até o fim do ano, serão desencadeadas operações. É um trabalho lento, de investigação interna da corregedoria e coordenadoria de inteligência, mas vocês verão o resultado.O coronel Waldyr Soares Filhos, corregedor da PM, diz que o órgão passou a ter uma postura mais proativa e menos reativa. Até o NOI (Núcleo de Operações de Inteligência) foi criado para dar suporte às delegacias de polícia judiciária militar, que investigam crimes cometidos por policiais militares.— A lógica é construir conhecimento e, através da inteligência, detectar focos potenciais de desvio de conduta. Instauramos investigações para que esses focos sejam debelados. Não temos pudor de rasgar na própria carne.Chefe do Departamento de Segurança Pública da faculdade de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense), o professor Roberto Kant de Lima diz considerar  bem intencionado o aumento da capacidade de investigar e punir por parte da corregedoria. Entretanto, para o especialista, a redução considerável da corrupção na corporação é uma “missão quase impossível”.— A Justiça Militar não funciona nos padrões da Justiça comum, principalmente porque a PM está dividida. Essas expulsões sumárias valem apenas para os praças e não atingem os oficiais, que têm tratamento diferente. É como se os soldados cabos e sargentos agissem à revelia dos seus superiores. Os protocolos da PM também precisam ser revistos. Eles não estão de acordo com a lei.Kant de Lima lembra que a morte da juíza Patrícia Acioli, morta em agosto de 2011, foi rapidamente solucionada, mas ressalta que muitas mortes suspeitas praticadas por policiais contra pessoas comuns são toleradas nas polícias.Dos 994 PMs excluídos nos últimos cinco anos, 247 aconteceram este ano — entre janeiro e 20 de setembro —; 143 em 2011; 85 em 2010; 300 em 2009 e 219 em 2008. (R7).

Veja o artigo original em PolicialBR

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