terça-feira, 16 de outubro de 2012

Faltam fitas para teste de glicemia nas unidades de saúde em Uberaba, MG




Os portadores de diabetes em Uberaba, no Triângulo Mineiro, estão com a saúde em risco por conta da falta de fitas para o teste de glicemia. É com ela que o diabético tem ideia da quantidade de insulina que deve ser aplicada. Já são mais de dois meses sem o material nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Segundo o superintendente de Saúde do município, Iraci José de Souza, o problema deve ser solucionado no início de novembro porque o Estado está aguardando receber a remessa de fitas, que é importada da China.
Uma caixa com 50 unidades custa cerca de R$ 100 e quem mede a taxa três vezes por dia tem que gastar mais de R$ 200. O estagiário Arcênio Martins convive com o diabetes há mais de dez anos. A insulina que recebe da prefeitura controla a glicose, mas nos últimos meses ele tem enfrentado problema para conseguir as fitas. “Você medindo três vezes ao dia gasta uma média de 90 fitas por mês. Cada caixa contém 50 fitas, no meu caso, eu preciso de 100 fitas por mês. No começo essa distribuição era bem regular, eu conseguia as duas caixas, depois passou para uma caixa e há uns cinco meses não estou recebendo nada”, contou Arcênio.
De cinco meses para cá Arcênio tem se arriscado com as doses. “Na hipoglicemia a gente percebe os sintomas e consegue corrigir. O grande problema é na hiperglicemia quando as taxas estão muito altas e, por ser uma doença silenciosa, você não percebe o que está acontecendo com o corpo”, disse o estagiário.
A doméstica Maria Cristina Paiva não consegue pagar pelas fitas para cuidar da saúde. “A orientação médica era para medir três vezes por dia, mas tenho feito uma vez por semana ou por mês”. A dosagem errada é um risco e as crises podem levar à morte. “Eu tenho medo porque um pouquinho a mais pode trazer uma complicação séria”, desabafou a doméstica.
Na Casa do Diabético é possível fazer o teste pagando R$ 3. A associação, que é formada por voluntários, tem que repassar esse valor aos pacientes. Em outros locais particulares o teste com a fita custa R$ 5. O superintendente de Saúde do município, Iraci José de Souza, informou que o problema que não é restrito a Uberaba e deve ser solucionado no início de novembro. “O Estado abriu um processo licitatório para contratar uma nova empresa que irá fornecer as tiras, mas a perdedora entrou com um mandado de segurança impedindo que a licitação fosse concluída. Há duas semanas esse mandado caiu e no início de novembro as fitas reagentes e a insulina serão fornecidas novamente aos municípios”, explicou.
A orientação da Secretaria de Saúde é que até a normalização do serviço os pacientes busquem ajuda nas Unidades Básicas de Saúde. A do Bairro Fabrício é uma delas e, no local, ainda restam algumas fitas para acompanhamento diário. Mas para a auxiliar administrativo Daniele Borges a situação fica mais difícil. Por causa da gravidez ela precisa fazer o teste oito vezes, diariamente. “O monitoramento e o controle são bem mais rígidos porque a doença pode causar risco para mim e para o bebê. O orçamento vai quase todo nas fitas para eu poder fazer o controle. Gasto uma média de R$ 550 por mês e poderia estar fazendo o enxoval”, disse Daniele.
Veja o artigo original no G1

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