quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Genoino anuncia saída do governo após condenação no STF





Agora ex-assessor do ministro da Defesa, petista diz estar "indignado" com o STF

Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

José Genoino, durante entrevista coletiva, nesta terça-feira

O ex-presidente do PT e réu do mensalão, José Genoino, condenado na última terça-feira (9) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção ativa, anunciou nesta quarta-feira (10) a saída do governo federal. Genoino é assessor do ministro da Defesa, Celso Amorim.

Ele anunciou a decisão em carta aberta divulgada no site do PT, dizendo que está "indignado" e que "uma injustiça monumental" foi cometida. O ex-presidente do partido foi condenado por sete dos oito ministros que já proferiram o voto nesta “fatia” do processo do mensalão. Somente o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, considerou Genoino inocente das acusações.

Genoino diz que sai do governo com a "consciência dos inocentes". Diz que não tem vergonha e que continuará a lutar "por um Brasil melhor, mais justo e soberano".

"A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta. Condenou um inocente. Condenou-me sem provas", diz a carta.

Segundo ele, a condenação foi sem provas e apenas pelo fato de ele ter sido presidente do partido quando o escândalo foi à tona.

"Pouco importa se não houve compra de votos. A tirania da hipótese pré-estabelecida se encarrega de 'provar' o que não houve. Pouco importa se eu não cuidava das questões financeiras do partido. A tirania da hipótese pré-estabelecida se encarrega de afirmar o contrário. Pouco importa se, após mais de 40 anos de política, o meu patrimônio pessoal continua o de um modesto cidadão de classe média. Esta tirania afirma, contra todas as evidências, que não posso ser probo", argumenta Genoino no documento.

O réu do mensalão disse ainda que sua condenação é uma "tentativa de condenar todo um partido político que vem mudando, para melhor, o Brasil". E disse que a tentativa não terá sucesso. "Mas eles fracassarão. O julgamento da população sempre nos favorecerá, pois ela sabe reconhecer quem trabalha por seus justos interesses. Ela também sabe reconhecer a hipocrisia dos moralistas de ocasião".

Exoneração

José Genoino ainda não fez o pedido de exoneração formal ao Ministério da Defesa. Ele ocupa um cargo comissionado e recebe R$ 9 mil por mês como assessor especial do ministro Celso Amorim.

De acordo com a assessoria do Ministério, Genoino estava de licença médica há aproximadamente um mês, depois de se submeter a um cateterismo. O atestado terminou nesta terça-feira, no mesmo dia em que sua condenação foi confirmada pelo STF.

Em tese, nesta quarta Genoino deveria voltar aos trabalhos. Segundo o Ministério da Defesa, o desligamento do cargo se dá de forma automática assim que ele solicitar formalmente a exoneração.

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