sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Mercado livre do crack funciona à luz do dia no Jacarezinho, no Rio





Viciados usam a droga perto de escolas e ruas movimentadas.
Delegada diz que a droga é um desafio para a segurança pública.


Imagens mostradas no RJTV revelam o funcionamento da maior cracolândia do Rio, que fica na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, no subúrbio do Rio. Elas mostram o funcionamento de um mercado livre de droga, com flagrantes de consumo e o tráfico de crack à luz do dia, em áreas movimentadas, inclusive perto de escolas.

No local, as cenas flagradas já fazem parte da rotina em várias cidades brasileiras. De acordo com dados do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Drogas (Inpad) só no último ano, um milhão de pessoas consumiram crack no país. Isso faz do Brasil o principal mercado consumidor de droga no mundo. Uma droga que não distingue classes sociais.

“Sou uma pessoa de classe média alta, que estou no crack há bastante tempo, 16 anos. O crack é o lixo do lixo. É a degradação humana, é um nada”, confessa um usuário que diz ter sido destruído pela droga.

O Jacarezinho, que ainda aguarda a pacificação, convive com uma das maiores cracolândias do Rio. Mas o comércio do crack não é flagrado só dentro da favela, mas também na Avenida Dom Helder Câmara, em plena luz do dia, em frente a uma escola, num horário de grande movimento de estudantes e trabalhadores.

Os traficantes dizem que os policiais que passam pela região não os preocupam porque há criminosos armados que lhes dão proteção. À luz do dia, eles oferecem crack, cocaína e maconha.

A polícia diz que prender esse tipo de traficante é um desafio novo, segundo a delegada Valéria Aragão.

“Dificilmente você consegue pegar um traficante com grande quantidade de drogas. Eles se misturam entre os usuários de drogas e passam uma pequena quantidade. Isso torna difícil a repressão”, diz a delegada.

É consenso entre os especialistas em segurança pública: o aumento da criminalidade está diretamente relacionado ao aparecimento das chamadas cracolândias.

“Há uma ligação direta entre o uso e abuso de drogas e a violência urbana. Imediatamente toda a operação que foi feita nessas cracolândias foi seguida de uma nítida redução do índice de furtos e roubos”, destacou.

Derivado da cocaína, o crack é uma das drogas com maior poder de dependência já produzidas no mundo. Para potencializar ainda mais os efeitos da droga, os usuários misturam o crack com a maconha. Essa mistura é chamada de "zirrê".

“O crack é o grande desafio de segurança pública, de saúde pública do momento. E demanda ações de inteligência, demanda ações articuladas, e vai demandar um processo. Faz parte de um processo. Não vai ter uma solução rápida nem simplista, mas existe solução”, conclui a delegada Valéria Aragão.

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