segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Milagre: após acidente que matou pais, menina escala penhasco e salva irmã





Heroísmo de Karine surpreendeu até bombeiros

A violência foi a marca de mais um fim de semana prolongado nas estradas que cortam Minas. Mas, no recesso de Nossa Senhora Aparecida, um milagre chamou a atenção em meio às tragédias que mataram pelo menos 22 pessoas nas rodovias. No trecho de 110 quilômetros da BR-381 entre BH e João Monlevade, na Região Central, conhecido como Rodovia da Morte, uma criança de 10 anos, que viajava com a família, mesmo ferida conseguiu vencer um penhasco de cerca de 100 metros de altura, de madrugada, para pedir socorro, depois de um acidente. O carro em que ela, uma irmã de 8 anos, os pais e uma amiga da família voltavam de Vitória saiu da estrada e caiu do barranco. Os três adultos morreram, mas a garota teve forças para vencer uma fratura na perna e pedir ajuda para a irmã, resgatada com vida.

O Serviço Voluntário de Resgate (Sevor), de João Monlevade, foi acionado imediatamente pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). “Quando chegamos, as duas crianças já estavam na rodovia. Haviam sido socorridas por um motorista que viu a mais velha pedindo ajuda”, conta o socorrista Gleyson Starling, que participou do resgate. O grupo Anjos do Asfalto também foi mobilizado. “Segundo informações de testemunhas, a criança que subiu o barranco para pedir ajuda foi orientada pelo pai a pedir socorro, mas ele acabou morrendo no local”, relata o presidente do Anjos do Asfalto de Minas Gerais, Marcus Campolina, referindo-se a Karine Pires Marques. Os voluntários levaram a menina e a irmã, Sara Pires Marques, de 8, para o Hospital Santa Margarida, em João Monlevade.

Segundo a PRF, o acidente aconteceu por volta das 5h de domingo. “Posso dizer que foi um instinto de sobrevivência. O local é impressionante e só de cabos de aço foram 150 metros do guincho até o carro”, conta um dos agentes da PRF que atendeu a ocorrência, Rafael Muñoz. Segundo ele, a curva onde o veículo passou reto é muito fechada e, em virtude do perigo, há um redutor de velocidade cerca de 800 metros antes. “Ele pode ter dormido ao volante ou também pode ter sofrido algum mal súbito, mas isso só a necropsia vai pode dizer”, acrescenta o policial. No desastre morreram os pais das garotas, Geraldo Argel Marques, de 56, e Rosângela Pires Marques, de 49, além de uma amiga da família, Mônica Regina Mapa, de 46.

Uma equipe dos Bombeiros de BH esteve no local e trabalhou com muitas dificuldades para retirar os corpos e o carro. “Foi muito complicado, porque o carro caiu em uma grota de cerca de dois metros de largura e ficou preso. A criança que venceu a ribanceira foi uma heroína. Uma pessoa adulta, com a luz do dia, já teria enormes dificuldades para subir. Imaginem uma criança de madrugada e machucada”, diz o tenente bombeiro Filemom Fernandes.

Maristânia Pires de Souza, de 42, não quer deixar sozinha a sobrinha Sara, que foi transferida para o HPS João XXIII no fim da tarde de ontem. Enquanto a irmã dela se recupera em João Monlevade e deve ter alta hoje, a tia faz companhia para a mais nova, que tem traumatismo craniano, costela e clavícula quebradas. Abatida, Maristânia é a imagem desolada de quem viu a família da irmã ficar pela metade numa curva da chamada Rodovia da Morte. “A Sara está muito agitada. Não reconheceu algumas pessoas. Quando me viu, disse ‘tia, tia…’ e pediu água”, diz.

O Dia do Professor é de luto na Escola Estadual José Izidoro de Miranda, Bairro Maria Goretti, Região Nordeste de BH, onde Mônica dava aulas e as duas crianças estudam. O acidente que matou o casal e a professora abalou funcionários e educadores.

Por Guilherme Paranaiba - Paula Takahashi - Jefferson da Fonseca Coutinho 

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