sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ordem é ir para cima de criminoso, diz Alckmin após morte de PM





O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse quinta-feira que o Estado não vai ceder às tentativas de intimidação do crime organizado ao matar policiais e atribuiu as mortes de civis a brigas de quadrilhas e acerto de contas. "O governo não vai retroagir um milímetro. É ir pra cima de criminoso. Polícia nas ruas e criminoso na cadeia", afirmou.

Alckmin diz acreditar que os ataques contra policiais sejam causados pelo combate ao tráfico de drogas. "Isso impacta financeiramente o crime organizado, que é hoje muito baseado no tráfico, e leva à retaliação." Ele citou o histórico de queda no número de homicídios, mas admitiu que há momentos de "maior tensão" e de "embate" com o crime.

Quando questionado se as mortes de civis após assassinatos de PMs podem ser vingança de integrantes da corporação, ele preferiu citar outras causas. "Você tem n motivos, tem pessoas que aproveitam esses momentos para acertar contas, briga por tráfico... E o governo investiga. Tolerância zero."

Já o coronel Roberval Ferreira França, comandante-geral da PM, negou que a violência que já matou 86 PMs neste ano seja o motivo do crescimento dos assassinatos. "O principal aumento nos casos de homicídios ocorreu entre pessoas que não têm propensão ao crime, como homicidas passionais e aqueles que matam depois de brigar no trânsito ou dentro de casa", explicou. "Não é possível atribuir o aumento dos homicídios a um suposto embate entre policiais e facção", disse, contradizendo o próprio governador.

Vingança
Para especialistas, o governo deveria ter um discurso claro, voltado a coibir a vingança por parte dos policiais. "Precisamos de uma declaração que diga explicitamente que não é matando que a polícia vai conter essa onda", disse a coordenadora do Núcleo de Análise de Dados do Instituto Sou da Paz, Ligia Rechenberg. "O que vemos nos últimos meses é exatamente o contrário, são declarações alimentando essa onda de violência. Dando carta branca", afirmou.

Outra tendência criticada por quem trabalha com segurança pública é a de o Estado minimizar o poder de fogo do Primeiro Comando da Capital (PCC). Alckmin disse certa vez que "há muita lenda" sobre facções criminosas e o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, afirmou que o grupo se resume a "30, 40 pessoas".

Segundo o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, no caso das máfias italianas e ítalo-americanas, foi fundamental que o problema não fosse minimizado. "Quando o Estado reconhece que existe, pode combater de fato. A melhor tática do diabo sempre foi fingir que não existe."

Também consultor em segurança, o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva diz que a imprensa trata todos os crimes envolvendo policiais "como se fossem ataques diretos". "Sei de assaltos nos quais o policial estava no estabelecimento, reagiu e morreu, não havia relação entre eles. Houve até uma situação em que um traficante descobriu que a mulher o traía com um policial e o assassinou."

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