quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PF: 22% dos delegados admitem pressão






Pesquisa Sensus mostra que 46% não acham corporação independente

BRASÍLIA Quase um quarto dos delegados da Polícia Federal diz sofrer pressão e influência interna na condução de inquéritos policiais, revela pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). Realizado pelo instituto Sensus, o levantamento mostra que 22,9% dos profissionais afirmaram ser alvo de pressões; 72,1% declararam o contrário, e 5% não opinaram.

O presidente da ADPF, delegado Marcos Leôncio Sousa Ribeiro, concorda com a maioria dos entrevistados. Para ele, o grau de autonomia interna na PF é elevado, mas admite ser ingenuidade imaginar que a corporação esteja livre de tentativas de coerção.

Ribeiro considera que há muita paranoia: policiais que confundem questões operacionais, como pedidos de esclarecimento da direção-geral sobre deslocamentos de pessoal, com interferências indevidas na investigação:

- Seria ingênuo dizer que não há (pressão). Existe. Mas têm malucos que veem chifre em cabeça de cavalo.

O Sensus entrevistou 695 delegados em março e abril. Como nas pesquisas eleitorais, o levantamento tem margem de erro de 3%. Segundo Ribeiro, os entrevistados são uma amostra do universo de cerca de 2,4 mil delegados ativos e inativos no país.

A independência da PF como polícia judiciária divide opiniões: 48,8% disseram que a corporação tem independência; 46,5% afirmaram o oposto, e 4,7% não responderam. Para 83,9% dos delegados, o diretor-geral da PF deveria cumprir mandato de três anos, renovável por mais três. Hoje, a indicação cabe ao ministro da Justiça.

Ribeiro afirmou que a corporação vive uma "ditadura sindical", referindo-se à disputa entre delegados, agentes e peritos. O projeto de lei orgânica da PF está no Congresso.

Fonte: Resenha EB

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