terça-feira, 2 de outubro de 2012

PRF diz que assaltos em estradas da Baixada aumentaram com UPPs






Bandidos teriam migrado para a área e os agentes reclamam de falta de efetivo

Problemas. Posto da PRF na Rio-Teresópolis, próximo a Magé. Agentes reclamam do crescimento da violência

Rafael Galdo

Policiais rodoviários federais que atuam na Via Dutra e na Rio-Teresópolis informaram ontem que a violência nas estradas, com assaltos a motoristas nos trechos da Baixada Fluminense, como os registrados na noite de domingo, tem crescido desde a instalação de UPPs no Rio. Segundo eles, bandidos que escaparam de favelas pacificadas se refugiaram em comunidades como a do Parque Paulista, em Caxias, e do Dique, em São João de Meriti. E há suspeitas de que eles estejam envolvidos nos ataques frequentes ocorridos nas rodovias na região, quase sempre com uso de armas pesadas, como fuzis.

Na Dutra, anteontem, cinco veículos foram roubados por volta das 20h15m, na pista sentido Rio, próximo a São João de Meriti. Doze homens com fuzis participaram do arrastão, um deles com uma arma de mira a laser. Num primeiro ataque, o grupo levou dois veículos. Três quilômetros depois, um dos carros foi abandonado e outros três foram roubados. Já na Rio-Teresópolis, os assaltos aconteceram às 21h, perto de Saracuruna, em Caxias, em direção ao Rio, num trecho em que a via estava engarrafada.

Chefe da 1ª delegacia da PRF, José Roberto Gonçalves de Lima, responsável pelo policiamento na Dutra e na BR-040 (Rio-Petrópolis), é um dos que afirmam que o número de ataques a motoristas cresceu nos trechos da Baixada depois das UPPs. Segundo ele, os bandidos agem à noite, das 19h às 22h, nos dias úteis, e das 20h às 21h, aos domingos. Na Dutra, a situação seria pior, com média de 1,3 veículo roubado por dia. Segundo ele, os criminosos usam dois carros para fechar a rodovia e assaltar os motoristas.

- Em situações normais, nosso efetivo é o adequado. Mas, no momento, é insuficiente devido à forma como os ladrões têm agido, fortemente armados. Bandidos da facção que dominava o Complexo do Alemão migraram para comunidades como Chatuba e Dique. Isso se reflete nas estradas - afirma ele, lembrando que, desde a última sexta-feira, o efetivo de sua delegacia foi reforçado com 20 homens e este mês devem chegar à região mais 25 agentes.

De acordo com o delegado, é possível que uma única quadrilha seja responsável pela maioria dos assaltos. Para tentar capturar esses criminosos, será realizada uma operação da PRF em conjunto com a Polícia Civil. Lima diz que a Dutra atualmente tem apenas câmeras de trânsito da concessionária que administra a via e outras câmeras serão instaladas para que as imagens sejam monitoradas pela PRF.

Um policial da PRF, que não quis se identificar, informou que na Rio-Teresópolis, o trecho com mais ocorrências é o de Caxias, perto dos ataques de anteontem. Além do efetivo reduzido, ele reclama que as poucas opções de retorno na rodovia dificultam o patrulhamento:

- Os bandidos usam radiotransmissores para praticar os assaltos. E atuam em trechos onde nossas viaturas não estão - afirma o policial.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a julho deste ano, o número de roubos de veículos cresceu em todo o estado 24% em relação ao mesmo período de 2011 (de 10.597 para 13.133 registros). Mas o aumento foi maior se considerados apenas os municípios da Baixada: 30% a mais, passando de 3.376 para 4.084 casos. A maioria deles em Duque de Caxias (41%, ou 1.707) e Nilópolis, Mesquita e Nova Iguaçu (31%, ou 1.288). Já na capital, os números cresceram, mas em ritmo mais lento (20%), de 5.547 para 6.591 casos.

Apesar das afirmações da PRF, a Secretaria de Segurança diz não ter informações que comprovem a migração de bandidos de áreas pacificadas para outras regiões.

Fonte: Resenha EB

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