quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Quadrilhas aliciaram 475 brasileiros em 6 anos




Dados fazem parte do diagnóstico preliminar sobre tráfico de pessoas no Brasil
Entre 2005 e 2011, pelo menos 475 brasileiros foram aliciados e vendidos por quadrilhas de traficantes para serem explorados como mercadoria no exterior. A maior parte das vítimas (337) sofreu exploração sexual enquanto um grupo de 135 pessoas foi submetido a trabalho escravo. Os dados fazem parte do diagnóstico preliminar sobre tráfico de pessoas no Brasil, elaborado pela primeira vez no País pelo Ministério da Justiça em parceria com o Unodc (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).
O principal destino das vítimas foi a Europa, conforme o estudo, divulgado nesta terça-feira pela Secretaria Nacional de Justiça. Em primeiro lugar, aparece a Suíça, para onde foram mandadas 127 vítimas, seguida por Espanha (104) e Holanda (71). Pelo Suriname, país da América do Sul usado como rota pelas quadrilhas, passaram 133 brasileiros rumo ao exterior. Pernambuco, Bahia e Mato Grosso do Sul lideram os registros de casos de vítimas.
No mesmo período de seis anos, a Polícia Federal prendeu e indiciou 381 pessoas por tráfico internacional de seres humanos, a maioria mulheres, para fins de exploração sexual. Outras 158 cumprem pena pelo mesmo crime nos registros do Departamento Penitenciário Nacional. O dado das prisões indica que há grande subnotificação de registros de vítimas.
Nos próximos dias, o governo lançará um pacote de medidas, sob análise final na Casa Civil da Presidência, para enfrentamento do tráfico de pessoas. O secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, reconheceu que o tráfico de pessoas, nas diversas modalidades, é um fenômeno ainda registrado de forma deficiente.
— Isso ocorre porque uma de suas características é a invisibilidade das vítimas e a negação de se autorreconhecerem como tais. No caso da exploração sexual, as vítima sequer se enxergam como vítimas.
Por isso, segundo ele, o governo vai desencadear campanhas massivas com foco na conscientização e para fortalecer a rede nacional de apoio as vítimas.
O diagnóstico parcial foi conduzido entre maio a agosto de 2012 e recuperou estatísticas, sobretudo criminais, do tráfico de pessoas no Brasil. Segundo informações do Ministério da Saúde, em 2010, 52 vítimas de tráfico de pessoas procuraram os serviços de saúde. Em 2011, foram 80 vítimas. A Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, por sua vez, recebeu 76 denúncias de tráfico de pessoas em 2010 e 35 em 2011.
As vítimas que procuram os serviços de saúde são na maioria mulheres, na faixa etária entre 10 e 29 anos. Há maior incidência de vítimas (25%) na faixa de 10 a 19 anos, de baixa escolaridade e solteiras. Os dados da Polícia Federal revelam que na maioria são mulheres as aliciadoras, recrutadoras ou traficantes, 55% dos indiciados. Já o Sistema Penitenciário Federal revela número maior de homens presos pelos atos criminosos. No Ministério da Saúde, cerca de 65% dos casos de agressão a vítimas de tráfico de pessoas foram cometidos por homens.
Veja o artigo original no R7

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