terça-feira, 16 de outubro de 2012

Rifa de R$ 20 do PCC sorteia 4 carros 0km




William Cardoso e Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A polícia apreendeu na sexta-feira, 15, três blocos de uma rifa do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles estavam na casa de Julio Cesar Bicho, de 34 anos, um dos principais ladrões de banco de São Paulo. Os bilhetes, que custam R$ 20 cada, prometem aos sorteados quatro carros 0km como prêmio. Vendida por integrantes que estão fora dos presídios, a rifa é uma das formas de arrecadação de recursos usada pela facção criminosa.

A rifa achada na casa de Bicho, na Vila Matilde, zona leste, aponta como primeiro prêmio um veículo Kia Soul. Segundo os bilhetes, também serão sorteados dois Gols e um Uno Mille. Além dos bilhetes, agentes da 5.ª Delegacia do Patrimônio (Roubo a Banco) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) encontraram relógios de grife, roupas, celulares, rádios e um notebook. Ainda foi apreendido um Citroën C3.

Responsável por 17 roubos a banco na capital apenas neste ano, Bicho foi preso quando saía de casa na tarde de sexta. Ele ainda tentou enganar os agentes, apresentando carteira de habilitação em nome de outra pessoa. As investigações, porém, já traziam imagens da atuação do criminoso em diversos assaltos. Em um dos casos, ele apontou a arma para a boca de um gerente.

Além de comandar quase um quarto dos roubos a banco na capital neste ano, Bicho também é suspeito de participar de pelo menos outras três ações na Região Metropolitana.

A polícia descobriu que o bandido tinha a colaboração de vigias dos bancos. Aliciados por integrantes da quadrilha, eles facilitavam o acesso às agências e chegavam a simular ter sido dominados por criminosos nos assaltos para não despertar suspeitas.

Histórico. Na última década, Bicho fez parte da quadrilha de Monstro, Rejão e De Menor, ladrões de banco conhecidos da polícia. Os dois últimos estão presos.

Depois da prisão na sexta, Bicho contou à polícia que se desentendeu com Monstro no fim do ano passado e, por isso, os dois não atuavam mais juntos. Para a polícia, porém, a principal hipótese é de que cada um ficou responsável por comandar uma parte da quadrilha. Se um fosse preso, como aconteceu, o outro continuaria em atividade.

Veja o artigo original no Estadão

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