quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SP: há muita novela em cima do 'salve', diz coronel do Choque






Cerca de 60 policiais da Rota e outros 40 da Polícia Civil realizaram, na manhã desta quarta-feira, uma operação na favela São Remo Foto: Adriano Lima/Terra

O comandante da Tropa de Choque de São Paulo, coronel Cesar Augusto Morelli, procurou na tarde desta quarta-feira desmitificar as quadrilhas que atuam no Estado e que estariam por trás de uma onda com mais de 40 mortes. Para o oficial, os membros dos grupos criminosos "não sabem nem falar direito" e, portanto, não teriam capacidade de provocar mortes de forma organizada. "Há muita novela em cima do 'salve' (ordem para matar policiais), se criou uma neurose", declarou.

Morelli concedeu uma entrevista coletiva ao lado do titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco, que disse ter solucionado 23 das mortes ocorridas nos últimos meses. Carrasco foi taxativo na relação dos assassinatos com a atividade policial de repressão ao crime, em especial ao tráfico, mas também engrossou o coro de que as facções não seriam articuladas a ponto de conseguirem provocar uma reação em cadeia. "Muitas pessoas estão aproveitando a situação para cobrar dívidas de jogo, de drogas, e quem não tem dinheiro paga com a vida", declarou.

Sobre uma lista, encontrada na tarde de terça-feira em Paraisópolis, os policiais afirmaram que contém "muita gíria", e que não seria possível ainda determinar se seriam mesmo nomes de policiais marcados para morrer. Entre os documentos, haveria até um plano de previdência de criminosos mortos durante a onda de assassinatos de 2006. Morelli voltou a desqualificar o material.

"Qualquer irmandade pode fazer uma gincana pra comprar feijão", disse. Ele afirma que a tropa está tranquila e que as recomendações são "as mesmas de sempre". "A principal é 'pôs arma na cinta, fica esperto'. Tem alguém que não gosta de você. Estando em situação de desvantagem, mesmo sem haver ataques, vai levar bala. 'Se desligar o cachimbo cai'", falou.

Para o comandante do Choque, não existe sequer o conceito de "crime organizado" em São Paulo, uma vez que as organizações criminosas deveriam estar infiltradas na sociedade civil, com penetração em partidos políticos, polícia e imprensa, o que para ele não está comprovado no caso da facção que atua em presídios paulistas e em áreas carentes do Estado. "Não é nenhuma máfia italiana, muitas vezes eles não sabem nem falar. Estão criando um glamour em cima disso, vamos glamourizar a família", pregou.

Por Hermano Freitas

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