sábado, 6 de outubro de 2012

Tasers serão compartilhados







Pistolas elétricas compradas pelo Detran deverão ser usadas também pelas polícias Civil e Militar em operações especiais. Departamento promete apelar para a Justiça

SAULO ARAÚJO

Os 220 tasers comprados pelo Governo do Distrito Federal no ano passado poderão ser usados pelas polícias Civil e Militar e pelo Departamento de Trânsito (Detran) em operações especiais. As pistolas que produzem choques elétricos estão encaixotadas e passarão para a tutela da Secretaria de Segurança Pública. Uma das sugestões estudadas pela pasta é que as corporações empreguem as armas em trabalhos específicos, mas devolvam assim que a missão for concluída.

A ideia inicial era distribuir os equipamentos aos agentes do Detran, mas várias instituições se manifestaram contra. O Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e até o Conselho Regional de Medicina (CRM) ameaçaram recorrer à Justiça. A direção do Detran tentou convencê-los de que as armas não letais eram eficientes em blitzes, mas não adiantou. Até o governador Agnelo Queiroz defendeu que os tasers fossem usados somente pelas polícias. Para encerrar a discussão, as pistolas foram recolhidas.

O Detran gastou R$ 334 mil para comprar as armas com o argumento de que os servidores pudessem se defender durante as abordagens. Segundo levantamento da própria autarquia, a cada três dias, uma média de dois fiscais são alvos de ataques, principalmente em blitzes para flagrar motoristas dirigindo sob efeito de bebida alcoólica.

No entendimento da maioria dos especialistas em trânsito, em vez de investir em armas não letais, o governo deveria dar mais atenção para campanhas educativas e intensificar a fiscalização a fim de diminuir as estatísticas de acidentes e mortes nas pistas da capital. “Brasília está perdendo uma das suas principais características, que é o respeito à faixa de pedestre. Seria muito mais eficiente investir em políticas educativas e repressão controlada do que usar um recurso desse para comprar equipamentos que não têm eficiência comprovada”, avalia o sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) e ex-secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar.

Polêmica

Mas, se depender do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran), a polêmica está longe do fim. O presidente da entidade, Eider Marcos Almeida, garante que tentará impedir na Justiça qualquer tentativa de o governo ceder os equipamentos para outras forças de segurança. “Essas armas são patrimônio do Detran e compradas com recursos do Detran. Elas foram adquiridas com um objetivo público e claro. Não podemos aceitar que passem para as polícias. Isso é errado”, protestou.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do DF informou que a pasta respeita a opinião do Sindetran, mas que o emprego das armas será decidido após uma avaliação técnica. Em março último, o estudante brasileiro Roberto Laudisio Curti, 21 anos, foi morto em Sydney, na Austrália, pela polícia local ao ser atingido várias vezes pelas descargas elétricas produzidas pelos tasers. Ele foi confundido com um ladrão.

Fonte: Resenha EB

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