sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Alckmin diz que violência é compatível com tamanho de SP




Em noite violenta, oito foram mortos só na Região Metropolitana

SÃO PAULO A Região Metropolitana de São Paulo teve ontem mais uma madrugada violenta, após duas noites de queda no número de crimes. Oito pessoas morreram e 17 ficaram feridas à bala, entre as quais três policiais. Outras cinco pessoas foram executadas no município de Araraquara, a 200 quilômetros da capital. Ainda assim, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que a violência no estado é compatível com o tamanho de São Paulo, sugeriu que há "uma campanha" contra o estado e disse que está sendo criada uma situação de pânico na população.

- O estado tem tamanho de país, aqui é maior que a Argentina. A Região Metropolitana é a terceira maior metrópole do mundo, tem 22 milhões de pessoas. Então é preciso dar a devida (dimensão), se não se cria uma situação muito injusta, quase que uma campanha contra São Paulo. E não é possível fazer isso e ainda criar uma situação de pânico na população - declarou o governador, durante uma visita a um terminal de ônibus na Zona Sul.

parentes querem apoio do estado

Foi na mesma região, no bairro Cidade Ademar, que um PM de folga foi baleado por dois homens que passaram em um carro. A dupla suspeita de fazer o ataque foi presa. O policial ficou ferido no ombro, foi operado e passa bem.

As sete mortes ocorreram em um espaço de oito horas, entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. Uma das vítimas era guarda civil metropolitano de Carapicuíba e foi assassinado fora do horário de expediente. Ele foi baleado quando estava em sua moto hoje. Somente na Zona Sul, três pessoas foram baleadas no bairro de Campo Grande, atingidas por tiros disparados por homens que passaram em uma moto.

O clima de violência espalha-se também pelo interior. Em Araraquara, cinco pessoas foram assassinadas a tiros na noite de anteontem em um período de cerca de 30 minutos. A polícia vê características de execução nos homicídios. De acordo com a Polícia Militar, as primeiras mortes aconteceram por volta das 22h, quando uma dupla encapuzada chegou a pé e atirou em dois homens que estavam em uma moto. Um outro homem, que estava a seis metros do local, também foi morto. Cerca de meia hora depois, um casal também foi alvo, em uma barraca de pastel, de dois homens encapuzados. Segundo testemunhas, os homens chegaram a pé e atiraram. As vítimas eram um pedreiro e uma auxiliar de serviços gerais.

Desde o início do ano, 92 policiais foram assassinados. Ontem à tarde, um grupo de 300 familiares de policiais mortos nos últimos dias fez manifestação contra a violência no vão livre do Masp, na avenida Paulista, de onde saiu em passeata até o Cemitério do Araçá, na avenida Dr. Arnaldo. Sônia Garcia, esposa do soldado Luiz Antônio de Souza, morto em 18 de outubro, afirma que não recebeu suporte estatal.

- Meu marido morreu e não recebi a visita de ninguém dos direitos humanos. Direitos humanos é só para bandido. Fiquei no IML até às 3h da manhã para liberar o corpo e ninguém me ajudou em nada - disse a viúva do PM.

Ontem, foi preso mais um suspeito de participar da morte do investigador João Antônio Pires, de 62 anos, em Juquitiba, na Grande São Paulo. O suspeito foi detido em Peruíbe, no litoral paulista. O crime ocorreu no dia 5 de outubro.

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