terça-feira, 6 de novembro de 2012

Após somar mais 8 mortes, SP cria agência integrada




Em meio à onda de violência que tomou o estado de São Paulo nas últimas semanas, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a criação de uma agência de atuação integrada para combater as organizações criminosas do estado. A tentativa de solução chegou após mais uma madrugada marcada pelos crimes: oito pessoas foram assassinadas, entre elas um adolescente de 13 anos, na Vila Brasilândia, Zona Norte da capital. Somente este ano, 90 policiais militares foram mortos na capital paulista.Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem, mostram que, mesmo com toda a criminalidade, o estado de São Paulo foi o que mais investiu em segurança pública em 2011: ao todo foram aplicados R$ 12,2 bilhões — um aumento de 67,4% no orçamento em relação a 2010. Os gastos com segurança incluem policiamento, defesa civil, informação e inteligência, segundo o documento elaborado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para Renato Sérgio de Lima, conselheiro do Fórum, a crise em São Paulo evidencia a fragilidade da organização das forças policiais no país. "A questão não são os recursos, mas a maneira com que eles estão sendo aplicados. Dinheiro não resolverá o problema, mas, sim, a qualidade do investimento e a implementação de políticas integradas."Dentro da parceria firmada com o governo federal, foram definidos seis pontos. Além da criação da agência integrada, Alckmin anunciou ações de combate ao crack, reforço na fiscalização das fronteiras do país, a instituição de um centro de controle de comando integrado, de um centro pericial e ações penitenciárias que podem incluir transferências de presos. Ainda ontem, o Ministério da Justiça e o governo de São Paulo determinaram o deslocamento de Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, para o presídio federal de Porto Velho. Silva é considerado o chefe da facção criminosa PCC na favela Paraisópolis e é investigado por mandar matar seis policiais. "As transferências de presos envolvidos com a morte de policiais serão aceleradas", afirmou o governador após a reunião.O professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília Arthur Trindade lembra que, historicamente, o Brasil não tem a tradição de articular ações entre as esferas federal e estadual, embora isso venha acontecendo no Rio de Janeiro e em Alagoas nos últimos anos. "Quando falamos em cooperação, geralmente é apenas um emprego de forças policiais federais para suprir a deficiência de efetivo de polícia nos estados. Esse não é o caso de São Paulo. Lidar com organizações criminosas como o PCC só faz sentido se for feito de maneira integrada", aponta o especialista em segurança pública.Trindade destaca, no entanto, que o governo paulista demorou para implementar as ações. "Existem inúmeras barreiras organizacionais. As agências relutam em compartilhar informações. Mas o maior entrave é a leitura míope de que estabelecer um protocolo de cooperação é admitir fracasso. O governo de São Paulo relutou muito em aceitar a proposta de cooperação porque temia uma leitura política negativa disso."A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, ressalta que um dos objetivos da parceria é cortar o fluxo financeiro das organizações criminosas. "Este é um termo de cooperação técnica. São Paulo tem efetivo o suficiente e profissionais altamente capacitados. Nossa ajuda faz parte de um esforço conjunto na área de inteligência para o estrangulamento das organizações criminosas."

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