domingo, 18 de novembro de 2012

Ataques e mortes continuam em SC





A onda de criminalidade no estado se alastra e já causou o assassinato de três suspeitos em confrontos com a polícia. Apesar das ocorrências, governador afirma que situação está sob controle. Em São Paulo, bandidos matam um bebê de 1 ano e 8 meses

ANNA BEATRIZ LISBÔA

Sobe para três o número de criminosos mortos em confrontos com agentes de segurança, no quinto dia consecutivo de violência em Santa Catarina. Até o início da noite de ontem, a polícia havia registrado 59 ocorrências em 14 municípios. Durante a tarde, as cúpulas das secretarias de Segurança Pública de Santa Catarina e do Paraná se reuniram para construir uma estratégia no intuito de evitar que a violência se espalhe para outros estados da Região Sul. De acordo com a Polícia Militar catarinense, desde que uma onda de criminalidade estourou em São Paulo as polícias do Brasil estão em alerta com possíveis reflexos.

Também na tarde de ontem, em conversa por telefone com o governador do estado, Raimundo Colombo (PSD), o presidente interino da República, Marco Maia (PT-RS), ofereceu recursos federais no combate à criminalidade. Colombo afirmou que a situação está sob controle, apesar das três mortes. A possibilidade de cooperação, no entanto, não está descartada. Desde o último domingo, Santa Catarina vem sendo alvo da ação de criminosos, que incendiaram 26 ônibus e atacaram bases das polícias Civil e Militar, presídios e viaturas.

Segundo informações do delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro, as ações estão sendo coordenadas por facções dentro de presídios estaduais. No entanto, não se descarta a possibilidade de que pequenos grupos tiram proveito da situação para praticar vandalismo. Em coletiva à imprensa, o comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina, Nazareno Marcineiro, afirmou que 500 homens estão de prontidão para serem acionados a qualquer momento, e que a PM está fazendo a escolta dos ônibus nas linhas de maior risco.

O secretário de Segurança Pública, César Grubba, garante que os ataques vêm diminuindo. No entanto, dois homens morreram em Tijucas, após troca de tiros com a polícia na noite de quinta-feira. Eles eram suspeitos de planejar uma vingança pela morte do acusado de ter ateado fogo em um coletivo durante a tarde, em Itapema. Na cidade, criminosos também incendiaram um ônibus de turismo do Paraná. Eles usaram um coquetel molotov, mas as chamas rapidamente foram controladas pelos bombeiros. Nenhum dos 45 turistas se feriu. Outros seis coletivos foram incendiados entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem.

Medo
A violência tem mudado a rotina de comerciantes nos municípios afetados. Pratinizia Barros de Lima, 26 anos, trabalha em uma pizzaria no centro de Blumenau, próximo ao local em que um ônibus foi incendiado esta semana. Segundo ela, embora o policiamento tenha sido reforçado, os colegas que utilizam transporte público se sentem inseguros. “Blumenau sempre foi uma cidade calma, nunca se viu esse tipo de violência por aqui.” Em Itapema, o comerciante Rafael Silva, 29, orientou os funcionários de sua lanchonete, que funciona das 18h a 1h, a redobrar a atenção, já que o policiamento na região é precário. “Pagamos imposto e não vemos retorno na segurança.”

Para o juiz titular da 4ª Vara Criminal da Capital de Santa Catarina, Alexandre Morais da Rosa, o surto de ações criminosas pode ser uma resposta à atuação violenta da polícia no estado. “No caso de Santa Catarina, infelizmente, impera a lógica da lei e da ordem, na qual se confunde autoridade com violência”, lamenta. “O atual quadro é resultado da confluência de fatores como ausência de investimento policial, pouco efetivo, má remuneração, mentalidade de violência institucionalizada — com exceções — e a ausência de uma política pública para gestão prisional e infantojuvenil. O que se colhe atualmente é algo que já esperávamos.”

BALANÇO 

Total de ocorrências: 59 
(entre 12 e 16 de novembro)

Mortos: 3
Cidades atingidas: Florianópolis, Blumenau, Criciúma, Itajaí, Navegantes, Palhoça, Tijucas, Balneário Camboriú, Camboriú, Gaspar, São José, Itapema, Timbó e Tubarão

Alvos de ataques com tiros e explosivos
» 3 bases da PM
» 1 base da Polícia Civil
» 2 bases do departamento prisional
» 1 viatura da PM
» 1 viatura da Polícia Civil
» 10 veículos particulares
» 2 veículos particulares da PM

Incendiados
» 26 ônibus

Autores
» 65 envolvidos » 43 presos

* Até as 18h de ontem 
Fonte: Polícia Militar de Santa Catarina

Rubens Cavallari/FolhapressThamyres Manga no enterro do filho, Pedro Henrique, 1 ano e 8 meses, ontem: ele foi baleado no pescoço

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