terça-feira, 20 de novembro de 2012

Caso Bruno: Tensão, abandono de advogados e manifestações marcam primeiro dia de julgamento





Contagem (Minas Gerais) - Tensão, abandono de três advogados e um embate entre defesa e a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 2º Tribunal do Júri de Contagem (MG). A estratégia mais dura na audiência foi de Ércio Quaresma, defensor de Marcos Aparecido, o Bola, apontado como o executor da vítima.

Por quase cinco horas, ele alegou cerceamento de defesa, disputou duas cadeiras com Rui Pimenta, advogado do atleta; reclamou do número de tomadas de energia da sala até anunciar a decisão de abandonar o caso. “A porta de saída é serventia da casa da Justiça”, anunciou a magistrada, que já presidiu mais de 300 júris. Ela determinou que Bola terá dez dias para nomear outro defensor, quando será marcada nova data de julgamento para ele.

Na chegada, Quaresma — que em 2010 admitiu ser viciado em crack, ao ser flagrado fumando a droga na rua, e também já foi suspenso pela OAB por 90 dias — disparou: “Essa juíza vai viver um dos piores momentos da sua vida. O que ela vai tomar de requerimento não está na história”.

Enquanto estava no plenário foi o centro das atenções e debochou da juíza quando esta determinou 20 minutos para cada advogado apontar o que poderia causar a anulação do processo. “A Lei não estipula tempo. Isso só existe no Código de Processo Penal de Contagem”, ironizou.

Por ter deixado a defesa de Bola, Quaresma e os outros advogados Fernando Magalhães e Zanone de Oliveira Júnior vão pagar multa de R$ 6.220 a R$ 62.220. O promotor Henry Wagner pediu à Justiça que os três advogados respondam por desacato. Eles também podem ser punidos pela OAB.

Bruno: 'Estou tranquilo'

Bruno e Macarrão respondem por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado e ocultação de cadáver. As penas podem chegar a 40 anos de prisão. Já Dayanne é acusada de sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho de Eliza; e Fernanda julgada pelo sequestro e cárcere privado de Eliza e Bruninho. A pena varia de 1 a 5 anos de prisão.

O julgamento começou às 17h. Pouco antes, Macarrão alegou que estava passando mal e retornou ao presídio Nelson Hungria. “Ele sentiu o calor, mas amanhã (hoje) estará no plenário”, afirmou o advogado Leonardo Diniz. De cara fechada e do lado de Dayanne, Bruno olhava a maioria do tempo para o chão ou para Ingrid Calheiros, sua noiva que estava assistindo ao júri. “Estou tranquilo”, disse Bruno à juíza.

Juíza rejeita fotos de Eliza

A juíza Marixa Rodrigues negou o pedido da defesa de incluir no processo fotos consideradas vulgares de Eliza Samudio, que fez filmes pornôs. Para a magistrada, as imagens são constrangedoras e ‘ultrapassam os limites da moral’.

“A promotoria entendeu que Eliza teria sua imagem achincalhada. Quem está em julgamento são os réus e não a vítima”, corroborou o promotor Henry Wagner, que mostrou-se confiante após o depoimento de Clayton da Silva. “Ele não mentiu e ainda confirmou o depoimento do Jorge (primo de Bruno)”.

Fiel, noiva quer deixar fórum de mãos dadas com Bruno

Confiante na absolvição do noivo, o goleiro Bruno, a dentista Ingrid Calheiros chegou ao 2º Tribunal do Júri de Contagem sorridente, às 8h04. “O único caminho é a justiça de Deus, que não vai falhar jamais. Acredito na inocência dele, não ficaria ao lado de um homem que tivesse feito uma coisa dessas”.

Três das mulheres ligadas a Bruno se cruzaram nos corredores do tribunal: Ingrid e as réus Fernanda e Dayanne. A última estava sentada no mesmo corredor da noiva, antes de abrirem o plenário.

Ingrid foi a única que permaneceu ao lado do jogador. Esteve com ele no presídio Nelson Hungria, domingo. “Fizemos orações juntos, lemos a Bíblia. Ele está muito confiante, porque se existe Justiça neste estado, ele vai ser absolvido”, afirmou a moça.

Para acompanhar o júri, Ingrid pediu licença no consultório onde trabalha no Rio. “Acredito na possibilidade de sair do tribunal de mãos dadas com o Bruno, pela porta da frente”, concluiu.

Jurada chora e juíza consola

A decisão de condenar ou absolver Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão; Dayanne Rodrigues e Fernanda Gomes está nas mãos de sete jurados, seis mulheres. Ao ser informada que poderia avisar à família que ficaria à disposição da Justiça enquanto durasse o julgamento, jurada chorou. Ela alegou que tem filhos e foi consolada pela magistrada. “Também penso em chorar quando lembro dos meus filhos amados”, disse a juíza.

Júri muda rotina de Contagem

Protestos, aglomeração de curiosos, confusão no trânsito e comércio movimentado. O julgamento agitou a rotina de Contagem (MG). Dezenas de pessoas se aglomeraram para tentar ver o goleiro Bruno de Souza.

Muitos vieram de longe, na expectativa de entrar no plenário. Maria Amélia Figueira Castro, 43 anos, saiu cedo de Belo Horizonte para ver o goleiro. O trânsito foi interrompido na Praça Tiradentes, onde fica o tribunal. Ambulantes aproveitaram para faturar. “Vendi salgados e sucos. Ajuda em casa, né?”, vibrou Mário Soares, 41.

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