quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cerco ao crime em SP






Central de inteligência vai integrar ações policiais; chefe de facção vai para prisão federal

SÃO PAULO Após semanas de desentendimentos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciaram ontem seis medidas para tentar conter a onda de violência que atinge o estado. Desde o começo do ano, 90 policiais militares já foram mortos. Ontem, a capital viveu uma nova madrugada violenta, com oito assassinatos.

A primeira das ações será a criação de uma agência de inteligência conjunta que vai reunir as polícias Civil e Militar, a Secretaria estadual da Fazenda, os departamentos penitenciários federal e estadual, a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Receita Federal e o Ministério Público Estadual. O Tribunal de Justiça também foi convidado a participar. O objetivo será desenvolver mecanismos para asfixiar financeiramente a facção criminosa que domina os presídios no estado e identificar os seus líderes.

Somando esforços, a inteligência da área federal e da área estadual, nós teremos relatórios precisos que orientarão as ações das nossas polícias - afirmou Cardozo.

Na semana passada, o secretário estadual de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, reclamou não ter recebido ajuda do governo federal para combater a violência no estado. O governo estadual pediu R$ 149 milhões. O ministro rebateu dizendo ter oferecido auxílio em um encontro ocorrido em junho e afirmou que a parceria não poderia envolver repasse de dinheiro porque o "governo federal não é banco".

Para por fim à crise, Alckmin e a cúpula da Segurança Pública do estado receberam ontem, no Palácio dos Bandeirantes, Cardozo, representantes da PF, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da PRF. O encontro havia sido acertado em um telefonema da presidente Dilma Rousseff para o governador na quinta-feira passada.

Temos disposição permanente em São Paulo de combater as organizações criminosas. Essa é uma tarefa que não é fácil, quanto mais se age, mais reação às vezes têm. Mas não é possível retroceder um milímetro - afirmou Alckmin.

Também ficou acertada a transferência de presos de São Paulo envolvidos em mortes de policiais para os presídios federais de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e de Porto Velho, em Rondônia. O primeiro a ser transferido, ainda nesta semana, será Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, apontado como chefe do tráfico de drogas na favela de Paraisópolis, na Zona Sul, e suspeito de mandar matar policiais.


Alerta de expansão de facção para fora de SP

Foi definido ainda a realizações de blitzes conjuntas das forças de segurança federais e estaduais em estradas, portos e aeroportos, que são portas de entrada de São Paulo. Outra aposta é a utilização da central de perícias da polícia de São Paulo para que outros estados identifiquem a origem de drogas apreendidas. O Ministério da Justiça manifestou preocupação com a expansão das atividades da facção criminosa que domina os presídios paulistas para outros estados. Os dois governos definiram ainda a implantação conjunta de um programa de combate ao crack. Por fim, prometeram uma central conjunta de monitoramento de operações.

O envio de tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança foi descartado.

A polícia de São Paulo tem 130 mil homens. Não há necessidade neste momento que se use as Forças Armadas - disse o ministro.

Entre a noite de segunda-feira e a madrugada de ontem, nove pessoas foram baleadas na capital - oito morreram. A maior parte dos ataques foi na Zona Norte. Na Vila Brasilândia, três homens que estavam em uma esquina foram baleados - dois morreram. Os atiradores fugiram. Na mesma região, criminosos pararam um ônibus, obrigaram os passageiros a descer e assumiram a direção. Eles subiram em uma calçada e atropelaram duas pessoas. Uma morreu. Um outro ônibus foi incendiado. A concessionária decidiu suspender a circulação de cinco linhas.

Por Sérgio Roxo

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