sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Delegado-geral diz que grupos de extermínio voltaram a atuar em SP






Vítima assassinada na recente onda de violência teve antecedente criminal consultado, o que pode indicar participação de policiais

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, afirmou ontem que há indícios de ações de extermínio na atual onda de violência em São Paulo. Em tom de desabafo, prestes a deixar o cargo, ele disse que pelo menos uma das vítimas teve antecedentes criminais consultados no sistema de segurança pública do Estado pouco antes de ser assassinada, o que indicaria atuação de policiais no crime.

"Fomos verificar, havia sido feita uma pesquisa (sobre antecedentes). A morte foi na capital e a pesquisa, feita na Grande São Paulo pouco antes da morte", disse Carneiro, logo após a posse do novo secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, no Palácio dos Bandeirantes.

O delegado-geral disse que isso já ocorria no passado (veja abaixo) e afirmou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está checando se houve consultas também em outros casos de homicídios recentes. "Se houver policial envolvido em crimes, queremos que ele fique preocupado e não durma em paz", disse. As consultas das fichas criminais são acessíveis somente a policiais.

Ainda falando sobre a onda de violência na cidade, questionado se havia provas de que policiais têm cometido assassinatos em bairros da periferia, Lima disse que trabalha com todas as linhas de investigação e apontou alguns indícios de que isso esteja acontecendo. "A própria sociedade, ao receber a informação de que oito homicídios aconteceram em um curto espaço de tempo, em um espaço geográfico pequeno, (sabe que) é porque alguma coisa estranha está acontecendo. O criminoso (comum) é covarde. Ele mata e foge do local. Ele não mata e fica matando várias vezes. Não mata e recolhe os estojos (dos projéteis) depois para não fazer prova."

O delegado-geral explicou que a numeração dos estojos de munições são determinantes em uma investigação, porque permitem o rastreamento de onde foram compradas. Todas as balas usadas por policiais, por exemplo, trazem identificação de lote. "Em muitos casos, os estojos são recolhidos por pessoas que sabem que poderiam ser incriminadas por essas informações."

Carneiro afirmou também que parte da sociedade é conivente com a violência. "É importante ressaltar que a gente nunca teve chacina nos Jardins. Por quê? Por que é tão fácil matar pobre na periferia? Porque ainda existe uma grande parcela da sociedade que acha que matar pobre na periferia é matar o marginal de amanhã."

Troca. Carneiro já pôs o cargo à disposição do novo secretário da Segurança e deve ser substituído nos próximos dias. Quatro nomes são cotados para assumir a Polícia Civil: o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Nelson Silveira Guimarães; o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Carlos José Paschoal de Toledo; o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo, Youssef Abou Chahin; e o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Jorge Carrasco.

Por BRUNO PAES MANSO , MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO - O Estado de S.Paulo

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