segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Governo federal e de São Paulo começam operação conjunta







Ação em rodovias vai atacar rotas de drogas e armas para a capital paulista

SÃO PAULO Em mais uma tentativa para enfraquecer o poder das facções criminosas, que desde o começo de outubro promovem uma onda de violência em São Paulo, os governos estadual e federal iniciam hoje operações policiais em 14 pontos das divisas do estado, identificados como principais rotas de entradas de drogas e armas na capital paulista. A inciativa, que mobilizará forças das polícias Rodoviária, Militar e Federal, faz parte de esforço do poder público para asfixiar financeiramente a facção criminosa organizada a partir dos presídios paulistas, cuja principal fonte de renda é o tráfico de entorpecentes e o contrabando de armas.

Os bloqueios policiais serão realizados sobretudo nas rodovias federais, como na BR-153, que liga São Paulo ao Paraná e a Minas Gerais. A ponte rodoferroviária do Rio Paraná, que liga São Paulo a Mato Grosso do Sul, também será alvo da operação. Em 2008, a Polícia Federal apreendeu nessa ponte 735 quilos de cocaína, que seriam entreguem a facções criminosas. Desde a semana passada, a Polícia Militar realiza bloqueios em estradas estaduais. Até ontem, três criminosos foram presos e 4,152 quilos de cocaína foram apreendidos.

- Nós estamos transferindo líderes do crime organizado para penitenciárias federais fora de São Paulo e, na área da contenção, começam agora operações em 14 pontos estratégicos. A contenção, junto com as áreas de inteligência estadual e federal, tem como objetivo evitar a entrada de drogas e de armas - explicou, no sábado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

A operação em conjunto nas estradas que atravessam São Paulo foi firmada no início deste mês pelo governador Geraldo Alckmin e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A cooperação entre as duas esferas de governo tem vigência até o final de 2014 e inclui ainda a criação de um centro de inteligência integrado entre as polícias estadual e federal.

272 mortes em menos de dois meses

Como parte do acordo entre os governos federal e estadual, dois presos foram transferidos de São Paulo para prisões federais. O primeiro a ser transferido, na semana retrasada, foi Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, acusado de chefiar o tráfico de drogas na Favela de Paraisópolis, na Zona Sul, e de mandar assassinar policiais militares. O segundo, na semana passada, foi Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, tido como um dos líderes da facção criminosa. Os dois foram levados a um presídio de segurança máxima em Porto Velho, Rondônia.

Ao todo, desde o início de outubro, 272 pessoas foram assassinadas em São Paulo. Desde o começo do ano, 92 policiais militares foram mortos.

Na madrugada de ontem, São Paulo viveu mais uma noite de violência. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, quatro pessoas foram baleadas; duas delas morreram. De acordo com testemunhas, os autores dos disparos estavam numa moto e conseguiram fugir. Na capital paulista, um homem foi baleado em Capão Redondo, na Zona Sul. Segundo a Polícia Civil, ele deixava um supermercado, onde trabalha como segurança, quando foi atingido, mas não corre risco de morrer. A suspeita é de que ele tenha sido confundido com um policial militar. Desde a noite de sexta-feira, foram registradas 11 mortes em São Paulo.

Um suspeito de matar um PM foi preso na noite de sábado, num bar na cidade de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O soldado da PM Hélio Miguel Gomes de Barros, de 36 anos, que trabalhava no 37º Batalhão, foi morto no início de outubro.

Por Gustavo Uribe - Jaqueline Falcão

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